segunda-feira, 23 de junho de 2014

A moda do trabalho escravo

O assunto veio a tona faz umas semanas e com o início da Copa do Mundo, parece que foi bem esquecido pelas pessoas.

O uso do trabalho escravo é mais comum do que imaginamos. No mundo temos aproximadamente 30 milhões de trabalhadores em situação de escravidão. Diversos produtos que utilizamos em nosso dia a dia tem manchas de sangue de trabalhadores sem o mínimo de dignidade.

No Brasil, tivemos casos da  grife Ellus onde uma camiseta custa em torno de R$80,00 e utiliza trabalho escravo para sua montagem e costura. Qual apena que a empresa levou? Uma singela multa de R$200 mil – ante os US$5 milhões de lucro em  2012 um valor irrisório.

Mas enganam-se quem acha que apenas a empresa Ellus utiliza este artifício. A rede Lojas Americanas,  com um lucro de US$7 milhões também levou uma multa de R$250 mil por trabalho escravo. C&A também entrou na lista, por manter funcionários em uma loja em Goiás em nível de escravidão, mas a multa para a empresa foi bem mais branda, R$100 mil.

Deputados não ficam de fora dessa. O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP), que vem de uma dinastia de família rica de SP, foi condenado por trabalho escravo em R$200 mil. João Lyra (PSD-AL) e Urzeni Rocha(PSDB-RR) também foram flagrados utilizando mão de obra escrava em suas propriedades.

Não preciso mais dar exemplos. O trabalho escravo é real e muitas vezes está onde não conseguimos ver. Em diamantes de celulares, trabalho escravo infantil. Computadores como iMac  da Apple também utiliza e, declaradamente, a empresa afirma que não abre mão deste tipo de “serviço”.

Mas qual o motivo de ainda existir tantos casos de trabalho escravo?

Primeiro a legislação. Como podemos ver, a lei é extremamente branda para estes casos. Com lucros que ultrapassam a cifra de milhões de dólares, uma multa de R$200 mil é mínima perto do estrago que as empresas fazem. No mínimo o fechamento da empresa no Brasil, expulsão de seus donos e sócios seria um pouco mais digno.

Quando vemos deputados envolvidos com trabalho escravo, podemos perceber que a lei é branda pois os mesmos que a fazem utilizam-se de suas brechas. Poderosos no Brasil não são presos. Raras exceções, não vemos deputados presos por crimes. Inclusive de trabalho escravo.  

Segundo, em meu ponto de vista, é o avanço do neo liberalismo. Como o lucro é mais importante que qualquer outra coisa, o gasto com o funcionário e o bem estar do trabalhador inexiste se isso for abaixar um pouco o lucro das empresas. O capitalismo proporciona o trabalho escravo para que não atrapalhe o lucro, a força da empresa e, porque não, o Deus mercado.


 Enquanto a legislação for frouxa com os que utilizam este meio para obter seus lucros, certamente o trabalho escravo vai continuar. E o governo brasileiro tem grande responsabilidade nisso. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Vai ter Copa sim

Pois é, dois dias para o início da Copa. Estranhamente a cidade de Belo Horizonte parece estar com medo de se envolver com o evento. Não vejo ruas pintadas, bandeiras pelas ruas. Quando tem, é algo muito tímido. Parece que as manifestações durante a Copa das Confederações espantou e amedrontou as pessoas.

Mas vai ter Copa. Manaus, Rio, Fortaleza... Diversas capitais estão muito enfeitadas para receber as seleções que virão ao Brasil disputar a taça de campeão do mundo (e claro, uma boa bolada de dinheiro).

Aqui em casa, vou receber confirmados, dois argentinos que estão viajando pelo Brasil. Muito interessante essa troca de cultura, hospitalidade e claro, a oportunidade de conviver ao menos uns dias assim.
O pagamento deles? Dar-me um espaço quando for dar um role pela Argentina.
Uma mão lavando a outra.

Conheço gente que vai receber turista que vão pagar $800 Euros pela Hospedagem. Isso sim que é negócio bão demais.


Aproveite. Pode não gostar do governo, pode não gostar da maneira que a Copa foi feita(como eu acho que MUITA coisa poderia ter sido diferente) mas a oportunidade de ganhar muito, seja no lado financeiro ou no lado de enriquecimento cultural está ai, quem perder é mulher do padre.


sábado, 31 de maio de 2014

O Estadão contra a participação

O veículo que tem uma longa folha de serviços prestados ao País está pronto para defender a democracia de seu principal algoz: o povo.

Perigo vermelho

A turma do editorial do Estadão está em pânico. Apelou e perdeu a razão. Também, não era para menos. O jornal que ajudou a derrubar os governos Vargas, em 1954, e João Goulart, em 1964, não dorme em serviço.  Dilma que se cuide, pois estamos, de novo, em um ano de quatro.

Mais uma vez, e antes que seja tarde, o veículo que tem uma longa folha de serviços prestados ao País está pronto para defender a democracia de seu principal algoz: o povo.

O jornal descobriu e denunciou, em um editorial ('Mudança de regime por decreto', de 29/5), que o governo da presidenta Dilma Rousseff está cometendo um crime de lesa pátria.

Os ideólogos das furiosas linhas chamam Dilma de 'companheira'. Calma, os 'companheiros' editorialistas continuam os mesmos. Apenas estão usando o pronome de tratamento de forma irônica.

Alertam para o grave risco que temos pela frente: ‘a presidente Dilma Rousseff quer modificar o sistema brasileiro de governo’ por decreto, brada o jornal que sabe defender um regime como ninguém.

Abram alas para os companheiros vetustos que falam de democracia com autoridade:

‘O Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), é um conjunto de barbaridades jurídicas, ainda que possa soar, numa leitura desatenta, como uma resposta aos difusos anseios das ruas. Na realidade é o mais puro oportunismo, aproveitando os ventos do momento para impor velhas pretensões do PT, sempre rejeitadas pela Nação, a respeito do que membros desse partido entendem que deva ser uma democracia.’

E nós, incautos, dormindo, trabalhando e nos preparando para a Copa do Mundo de Futebol - quanta alienação! O gigante dormiu de novo. A coisa da ‘leitura desatenta’ é feita para gente como nós, míopes nas entrelinhas.

Por sorte, nada escapa à eterna vigilância dos companheiros que cavalgam de trombeta.

Cuidado com essa coisa de ‘sociedade civil’, pede o Estadão. Isso é um perigo.

Estejam todos atentos, pois querem destruir a democracia. Como pretendem fazê-lo? Trazendo a sociedade civil para dentro do governo.

Os funéreos redatores jogaram a pá de cal até em liberais moderninhos como Alexis de Tocqueville e John Stuart Mill, que defendiam a participação como base da boa representação, no século XIX.

A Constituição reescrita por um editorial

Em um de seus parágrafos mais histéricos, o editorial que baba afirma que ‘a companheira Dilma não concorda com o sistema representativo brasileiro, definido pela Assembleia Constituinte de 1988, e quer, por decreto, instituir outra fonte de poder: a 'participação direta'.’

Alguém poderia enviar de presente ao Estadão, pelos Correios, um exemplar da Constituição, pois o deles deve ter sumido faz tempo.

Já se esqueceram do parágrafo único do artigo 1o de nossa Carta Magna  , que diz:

‘Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição’.

Provavelmente não chegaram sequer ao artigo 84, que dá ao Presidente da República o poder de expedir decretos sobre a organização e funcionamento da administração federal, que é exatamente o objeto do abominado ato oficial.

Não bastassem alguns ministros do Supremo, também o Estadão agora quer reescrever a Constituição, a começar por editoriais - quem sabe, um dia, via classificados.

Ficaria assim o primeiro artigo da Constituição, pelas mãos dos companheiros trombeteiros:

‘Ora, a participação social numa democracia representativa se dá através dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos.’

O Estadão acaba de proclamar o parlamentarismo, pois esqueceu-se até de incluir a Presidência da República como uma das instâncias de representação. Ou seja, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, tudo bem; mas Dilma Rousseff, nem pensar.

Os tocadores de berrante pedem àqueles que consideram suas vaquinhas de presépio (‘Que o Congresso esteja atento’ e que venha ‘o STF, para declarar a inconstitucionalidade do decreto’) para derrubarem a norma do Executivo.

O argumento pífio é o de que ela ‘fere o princípio básico da igualdade democrática (‘uma pessoa, um voto’)’.

Hora de mandar mais um exemplar da Constituição para o Estadão. Nem o Brasil, nem qualquer país federalista do mundo segue o sistema de ‘uma pessoa, um voto’ na representação parlamentar.

Os caríssimos companheiros editorializantes até hoje não descobriram que nem a Câmara dos Deputados, nem o Senado Federal são constituídos pelo tal sistema de ‘uma pessoa, um voto’. Erraram de país.

A única instância de representação em que essa regra é aplicada, para o azar do Estadão, é justamente a Presidência da República.

Argumentos similares aos desse editorial já foram e continuam sendo usados contra invenções diabólicas como, por exemplo, o orçamento participativo - coisa perigosíssima, nascida da invencionisse petista, dilmista, mensaleira e autoritária dos comissários.

O Estadão chamou para a briga. E pede ajuda a quem quer que seja para salvar nosso sistema representativo.

Sim, esse mesmo sistema representativo que todos os dias os editoriais do Estadão e de muitos outros jornais ajudam a desmoralizar, a esculhambar, a retratar como um ninho de bandidos, é esse sistema que eles conclamam que seja salvo. Avante, ‘companheiros’!

Dilma é acusada de ‘descaramento’ por conta do tal decreto. Aí descobrimos para que serve o cavalo do Estadão: para ajudar a escrever editoriais com coices.

Exorcistas de papel

Em momento algum o Editorialíssimo Jornal, do alto de sua cavalgadura, abandona a postura autoritária e de tutela da opinião pública. Jamais passou, por baixo das patas de suas ferraduras, a ideia de recomendar ao leitor um cuidado básico: o de ler o decreto.

O jornal, como sempre, confia no poder de seu berrante de produzir o efeito manada nos que compram suas páginas. Espera que simplesmente ruminem sobre o decreto: ‘não li e não gostei’.

Quem puder ler a norma verá que a mesma restringe-se a dar recomendações à administração pública federal. Nem Estados, nem Municípios, nem o DF estão obrigados a segui-la.

A Câmara, o Senado e o STF, invocados pelos exorcistas de papel, não têm nada a ver com a coisa e podem permanecer sem sociedade civil, se assim preferirem, no intuito de agradar o jornal.

Sabem qual o grande perigo do decreto? O grande perigo é o de serem criados conselhos e comissões de políticas públicas; conferências nacionais; ouvidorias; mesas de diálogo; fóruns interconselhos; audiências públicas; consultas públicas; e ambientes virtuais de participação social.

Se é disso que o Estadão tem medo, é bom esconder-se debaixo da cama imediatamente, pois, com esse decreto, o bicho vai pegar.



Antonio Lassance

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O preconceito cultural

Nos últimos dias, por conta da virada cultural, vi diversos perfis no Facebook falando sobre o tema. Em especial, a contratação de artistas populares, como Valesca Poposuda e o Rapper Xis.

As maiores ofensas foram em relação a representante do funk estar em um evento que tenha cultura no nome. Para muitos, o funk não é cultura. São os mesmos que, quando pisam em periferias, vão apenas apra comprar drogas.

Dentre as ofensas, percebi que as pessoas resumem a virada cultural apenas em shows musicais. E só valem músicas que é de gosto do reclamante, não existem outras vertentes que possam agradar o grande público.
Percebi que o preconceito vem justamente do público mais voltado ao rock - estilo que nasceu de rebeldia e revolta e que hoje mostra-se com os fãs mais conservadores-. As pessoas acham que apenas o rock é bom, que apenas o que vem do rock pode ser considerado cultura.

Na virada cultural, tivemos diversos artistas. Uriah Heep e  Mark Farner se destacaram no palco rock. No palco vinil, vários artistas tocando discos completos. Otto com o "Canta Canta Minha Gente" de Martinho da Vila fez todos dançar. O disco "Dark Side of The Moon" do Pink Floyd foi apresentado com o palco lotado. Mas a virada é só música?

Não, a virada teve dança, teve teatro ( como a peça "Os Gigantes da Montanha, do grupo mineiro Galpão), teve mágica, teve gastronomia, cervejas artesanais, pintura, balada elotrônica, marionetes, oficinas infantis, literatura, artes plásticas... Resumir a virada cultural apenas nos shows é limitar o conhecimento cultural. Se bem que o pessoal de hoje é bem limitado em questão de informação, então apenas refletem isso no lado cultural.

Ps- Querem saber mais sobre o funk? Frequente a realidade da periferia que pode ajudar.

Ps 2- Sempre falei que o rock era rebeldia e hoje o público está mais pra mimado.

Ps 3- Saibam separar entretenimento de cultura. Shows são entretenimento.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A revolta seletiva do jornalismo brasileiro

Eu havia abandonado esse blog. Talvez por falta de tempo, mas o mais certo é a falta de vontade de escrever. Sei lá, desânimo, falta de esperança na sociedade. São diversos fatores, mas meus dedos sempre coçaram para retomar isso. E o cinegrafista da Band, Santiago, morto esses dias, me fez voltar.

O assunto não é novo, e a mídia (isso incluí rede social também) está sugando ao máximo este assunto, principalmente para tentar jogar a culpa em algum lado. Esquerdistas tentam jogar pra direita, direitosos tentam jogar pra esquerda. Governistas tentam jogar pra oposição e oposição tenta jogar para o PT. No final, todos estão usando o assunto de maneira política.

O que me incomoda é a revolta seletiva dentro do jornalismo brasileiro. Vi inúmeros perfis falando do caso com revolta, com amargura. Claro, uma situação como essa é complicada e incomum. Poucos os casos de jornalistas mortos por conta de manifestação de rua.  Teve gente querendo que um dos estádios da Copa do Mundo fosse batizado com o nome do jornalista. Não sei ao certo até que ponto isso seria homenagem ou oportunismo barato.

Mas e o Mosquito? Ninguém vai falar do Mosquito?
Sabe quem é Mosquito?

Amilton Alexandre foi um jornalista de Santa Catarina que morreu ano passado. O que provocou a morte, segundo a polícia? Suicídio. Quem conhecia seu trabalho sabe que isso seria quase impossível. O problema foi outro.

Mosquito, como era conhecido, divulgou sobre o caso do filho de Sérgio Sirotsky, diretor da rede RSB, retransmissora da rede Globo no RS, que estuprou uma menina de 13 anos em sua própria casa. O garoto não foi preso e o assunto foi fortemente abafado. Dias depois da divulgação do caso, Mosquito foi encontrado morto e dado como suicídio.

Nesse meio tempo, não vi indignados da imprensa brasileira. Não vi os jornalistas querendo homenagens ou ainda, não vi divulgação massante do caso. Ora, se as pessoas estão querendo colocar em pauta a redução da maioridade penal, nada melhor que usar exemplo como um garoto que estupra e não vai preso. Mas a influência é o problema.

O garoto é filho de diretor da Globo. Nem a ANJ teve caráter para divulgar uma linha sequer sobre o caso, abraçou o que a polícia falou do caso (suicídio) e deixou por isso mesmo.

Essa indignação seletiva me incomoda muito. Incomoda pois sabemos que não teria como usar politicamente Mosquito para abocanhar votos(ou tirar), então o assunto é deixado para trás.  Sinceramente, a vida de Mosquito valeu menos do que a de Santigado. Santiago vai virar uma lenda por ter sido em protesto de rua depois das explosões de manifestações do meio do ano passado. Mosquito foi só mais um jornalista que morreu para proteger nome de influentes.

Santiago, presente.


Mosquito, presente

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cachoeira foi solto. E agora STF?


O “empresário”(FOLHA FACTS) Carlinhos Cachoeira foi solto. Sim, com provas mais que cabais, com a cassação de Demóstenes Torres (DEM) por envolvimento com este senhor e a omissão da CPI em convocar o editor júnior da revista “OIA”, mostrou de fato como a justiça no Brasil só serve para quatro P´s. Pobre, preto, puta e PTista.

Mais do que provas, Cachoeira usou de extorsão e sua influência para benefício próprio. Com a ajuda de Policarpo Jr.(diretor de Veja), armaram contra o governo e ministros. Demóstenes Torres, então senador do DEM, ajudava no intermédio.

Vamos a outro caso?

Não estou aqui dizendo que são inocentes, porém, no caso do mensalão todos os Ministros afirmaram não haver provas, mesmo assim todos foram condenados. Ok, so jornalista de formação, não tenho muita noção de direito, mas sei que em certos casos precisam de provas cabais para condenar e prender alguém.

No caso do mensalão, as provas são apenas fictícias, como afirmaram os ministros na hora de condenar. Mas de Cachoeira, mais do que provas, existem os atos. Ele quieto na CPI, as gravações interceptadas pela Polícia Federal, dentre outros casos. É um absurdo que no Brasil a justiça seja apenas pontual.

O pior é que a imprensa tupiniquim fica ao lado dos bandidos da elite. A opinião pública já havia condenado os réus do mensalão antes de iniciar o julgamento. Mas com Cachoeira o tratamento foi diferente. Ele é citado como empresário e não como bicheiro ou bandido.

No Brasil, os crimes têm dois peses e duas medidas. Se for feito pela elite, tudo bem. Se é feito pelo povão, cadeia e escracho público neles...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As vidas possíveis de José Serra


Cynara Menezes

1. Após oito anos como prefeito de São Paulo, José Serra deixou o cargo com a popularidade em alta em 2012. Avaliado como “bom” e “ótimo” pela ampla maioria dos paulistanos, Serra melhorou o trânsito da cidade, o transporte e a educação pública e minimizou o problema das enchentes. Fez projetos na periferia e atendeu reivindicações dos mais carentes. Conseguiu inclusive eleger com folga sua sucessora, Soninha Francine, pelo PPS, partido-irmão do PSDB, também conhecido como “puxadinho”. Após terminar o mandato, Serra disse que pretende viajar para se preparar para a eleição de 2014 à presidência. “Acho importante conhecer o Brasil inteiro, coisa que nunca fiz”, declarou.

2. Após oito anos como governador de São Paulo, José Serra deixou o cargo com a popularidade em alta em 2014. Fez uma administração considerada revolucionária nas áreas de saúde e educação, além de investir na ampliação do metrô. Tudo com a maior transparência possível, sem superfaturamentos ou qualquer suspeita pairando sobre as obras de grande porte. Embora tenha que disputar a convenção do PSDB com outros quatro candidatos, como Aécio Neves, Serra é considerado a maior pedra no caminho da presidenta Dilma Rousseff à reeleição. Antes de entrar na disputa, ele declarou que não pretende explorar o assunto religião ou aborto em sua campanha presidencial. “Defendo um Estado laico”, garantiu.



3. Após a derrota para Dilma Rousseff na campanha para a presidência em 2010, José Serra disse que pretende se dedicar à vida acadêmica antes de tentar novamente disputar um cargo eletivo. O tucano disse necessitar de tempo para refletir sobre sua trajetória política. Serra fez uma inflexão e admitiu haver sido “um erro” sua guinada rumo ao conservadorismo na campanha. “Eu contrariei minhas origens, minha biografia de homem de esquerda. Isto foi um equívoco que não pretendo repetir”, prometeu.

4. Após a derrota para Fernando Haddad na eleição para prefeito de São Paulo em 2012, José Serra anuncia seu afastamento definitivo da política partidária para se dedicar integralmente às palestras, aos artigos para jornais e aos estudos. Já tem até o título do livro que pretende publicar: Não Vale Tudo. No futuro, Serra almeja ainda criar uma universidade livre dedicada aos estudos políticos, que irá reunir intelectuais de renome de todos os matizes, da esquerda à direita. O objetivo é contribuir com soluções para o Brasil. “Já que não consegui ser eleito, gostaria de deixar minha contribuição ao País em termos de ideias”, afirmou.

 O que aconteceu de fato: Serra largou a prefeitura de São Paulo para ser candidato ao governo e depois largou o governo de São Paulo para ser candidato à Presidência. Saiu de ambos com rejeição altíssima e fez uma campanha retrógrada. Perdeu nas duas, candidatou-se novamente a prefeito e mais uma vez fez uma campanha retrógrada.

O que irá acontecer de fato: Serra não admitirá nenhum erro e vai continuar tentando ser candidato à presidência.


Moral da história: A ambição, assim como a cólera, é muito má conselheira (provérbio português).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Jornal de Aécio Neves cada dia mais decadente


Diretor de nossa sucursal em BH critica os rumos do tradicional "Estado de Minas"

O considerado Camilo Viana, diretor de nossa sucursal em Belo Horizonte, de cujo e florido jardim de inverno avista-se um outrora cenário da democracia, o Palácio da Liberdade, escreveu, digamos, estrondosa diatribe contra seu ex-jornal preferido:

Sr. Diretor.


Que pena! O Estado de Minas transforma-se a cada dia em insignificante jornaleco de província, submisso, dependente, escondendo notícias de personalidades que anunciam no jornal e ou autoridades do governo, em sabujice detestável.


Minas Gerais merecia mais dos editores: ter um jornal com mínimo respeito pela informação completa, verdadeira, pois nem todos seguimos os interesses comerciais da empresa e dirigentes. Será esta a razão da baixa tiragem, encolhendo quase à míngua enquanto a população cresce?


Os vendilhões da personalidade do jornal percebem e não se importam que a impressão esteja abaixo de 70 mil, enquanto um arremedo de pasquim, editado em Betim, chega a 300 mil exemplares diários?


Quem mudou, nós leitores ou os dirigentes do jornal a se amesquinhar mais a cada dia? Ou seria em razão coerente, persistente, da defesa feita ao Marcos Valério, em editorial assinado pelo Zenóbio logo quando estourou o escândalo do mensalão, a demonstrar o lado preferencial?


Em continuidade da ocultação dos fatos, fartamente utilizado nos noticiários no decorrer do julgamento do mensalão, hoje mesmo deixam de noticiar a condenação do dono do banco BMG, Ricardo Guimarães, em primeira instância, é certo, a sete anos de cadeia.


Só não mereceu ainda um editorial.


Sabemos todos que a linha editorial do Estado de Minas persiste nos males da inoculação dos métodos do fundador dos Diários Associados, aliás, de tempos para cá, meio esquecido.


Jornal, Senhor Diretor, é para quem tem orgulho da profissão. Breve, a continuar assim teremos o canto dos cisnes e, como o Diário da Tarde, fenecerá por inanição de caráter e poções caseiras da roça.


Cumprimentos do leitor


Camilo Viana

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O ódio contra Lula


É difícil para algumas pessoas entenderem o ódio que muita gente tem contra o ex-presidente Lula. Mas se formos analisar mais profundamente, não precisa ter um QI muito alto para entender o motivo.

Primeiro, temos que entender que o Brasil é elitista. Ao menos até o início da década de 2000 tinha esse pensamento. Parafraseando Mino carta, é um país da casa grande e senzala. E mesmo a senzala brasileira, tem o pensamento da casa grande. O brasileiro acostumou a ter uma vida de terceiro mundo com exigências de primeiro.

Incomoda um ser que teve a vida como ensinamento, e não a escola funcional, cartilhada por um governo que quer decidir o que deve ou não deve ensinar na escola. Incomoda ainda mais que esse mesmo menino pobre conseguiu ter um mandato com mais de 70% de aprovação popular. Algo que o letrado, formado culto e esquecido Fernando Henrique Cardoso não conseguiu.

Alias, vale uma lembrança. Nem o próprio partido de Fernando Henrique Cardoso gosta de lembrar dele, tanto é que não o usa em campanha. Já Lula, até partido que não é aliado gosta de ter sua imagem vinculada. Dá prestígio.  FHC caiu em esquecimento tanto nacional quanto mundial.



Incomoda também de Lula ter recebido ao todo, 15 prêmios internacionais e 20 nacionais pelo seu trabalho pelo combate a pobreza. Inclusive os programas sociais iniciados em seu governo são referências no mundo. Enquanto muitos brasileiros compram a ideia de uma mídia que diz que distribui esmola, hoje inúmeras pessoas têm o que comer.

FHC tem seus prêmios também, mas todos sobre obras literárias ou dissertações. Nenhuma por algum trabalho feito em prol da comunidade, seja nacional ou mundial.

O ódio cresce ainda mais porque apesar de tudo sendo feito para derrubar, Lula sempre se manteve firme como presidente. Mesmo com a imprensa, que antes tinha o poder de colocar e retirar comandante (Sarney, Collor, FHC), Lula manteve-se lá, em seu trabalho.

Hoje o Brasil não passa mais vergonha no exterior. Antigamente, o Brasil levava bronca internacional, por ter perdido US$20 bilhões durante uma crise mexicana, que FHC não conseguiu controlar. Em uma crise mundial, onde até hoje temos um grande reflexo, nosso caminho foi o crescimento. A casa grande odeia isso.

Odeia mais ainda que Lula conseguiu, mesmo com tudo contra, eleger seu sucessor. No caso, sucessora.  Hoje, Dilma colhe os frutos da herança que pegou. Ela não pegou um país refém do FMI, pegou um país respeitado e em pleno crescimento. Claro, ainda que temos problemas crônicos que não conseguiram ser resolvidos, como o problema da saúde nacional ou o problema da educação base, mas ao que tudo indica, esses problemas ficarão mais amenos, infelizmente com um tempo mais amplo.

Dói para a casa grande que o apedeuta(Mainardi,Diogo) sem estudo conseguiu fazer um programa de inclusão que deu oportunidade de, até o início de 2012, um milhão de jovens ter um curso superior. Hoje filho de pedreiro é doutor. Isso falando em bolsas de estudos, fora o investimento nas federais em que o governo Lula abriu 14 unidades, onde o governo anterior não conseguiu abrir uma única vaga.

O maior destaque do ex-presidente foi, sem sombra de dúvidas, a redução da miséria no Brasil. Quando Fernando Collor de Mello assumiu a presidência, a miséria no Brasil girava em torno de 35 milhões de pessoas. Quando Fernando Henrique Assumiu, ela de 28, 99 milhões de pessoas na linha da miséria. Quando terminou seu governo, o número era de 28,17 milhões. De 2003 até 2009, a miséria no Brasil foi reduzida de 28 milhões para 15,54. Um número histórico.

O ódio ao ex-presidente aumentou ainda mais quando surgiu a questão das cotas racionais(não são apenas raciais, são cotas sociais também, por isso racionais). Em um país onde o negro ganha 40% menos que um branco, e onde é marginalizado apenas por ter uma pigmentação mais forte, o sistema de cotas é chamado de injusto. Eis uma hipocrisia da casa grande. As cotas para negros são 25% nas universidades, e outros 25% das cotas destinadas as classes sociais. Ou seja, 50% das vagas em universidades são para a casa grande. E ainda reclamam...

O ódio vai crescer ainda mais. Todo o show no caso do “mensalão” PTista não deu certo. Nessas eleições, o único partido que cresceu foi o PT. Foi o partido mais votado e o único partido que aumentou o número de prefeituras. Se ganhar em São Paulo com Haddad, a força de Lula terá a maior prova de sua história, pois em pleno pleito municipal se julgava a ação. Ele vencerá o DataFolha, com suas pesquisas manipuladas, A Globo, colocando a exaustão  o caso em todos os seus telejornais, e toda a imprensa que sempre foi contra a popularidade do ex-presidente. Vê-lo novamente em batalha, mesmo após um câncer é uma afronta aos setores mais tradicionais brasileiros.

O ódio vai aumentando, mas as pessoas esquecem que, quando mais atacam Lula, mais ele se torna um ícone de uma era nacional. Quando eu fui à reunião na Barra Funda com os primeiros beneficiados do ProUni, pude perceber a mudança histórica que estávamos passando. Um coro de oito mil alunos “Lula, guerreiro, do Povo Brasileiro” não é pra qualquer um. A direita pira...

terça-feira, 2 de outubro de 2012


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