terça-feira, 1 de julho de 2008

Preconceito contra o estudante

Não é de hoje que o mercado de trabalho demonstra um grande preconceito perante os estudantes. Não digo apenas o preconceito de cor, mas tudo pode ser motivo para um estudante não conseguir uma vaga de emprego.

No último dia 25/06, o site comunique-se (www.comuniquese.com.br) postou a seguinte oferta de emprego:

Vaga de estágio no departamento de Comunicação Social

Projetos/Atividades: Levantamento de informações;
Apuração e pesquisa;
Cobertura de eventos.
Bolsa Auxilio Mensal: R$600,00 + TR + VT
Início: Imediato
Formação: Comunicação Social - Jornalismo
Cásper Líbero/Puc/Metodista/EGA
Conhecimentos de Informática: Word, Microsoft outlook, Internet
IDIOMAS: Alemão Fluente
Inglês Fluente
Período Integral

Empresa - Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha

Contato - Ricardo Alves********(formprof@ahkbrasil.com)



Ok, agora vamos por partes.

Eu concordo que a empresa queira um profissional qualificado, que hoje precisamos ter cada vez mais cursos e conhecimentos para o mercado de trabalho. Mas ai entra o preconceito.

“Formação: Comunicação Social - Jornalismo
Casper Líbero/Puc/Metodista/EGA”

O que impede um aluno da Uniban de ser um bom profissional?

Porque um aluno da Casper Líbero é melhor do que um da Uni Sant´anna?

Pelos textos escritos, não é bem assim que funciona.

Participei da Semana Estado de Jornalismo, do jornal O Estado de São Paulo,e confirmei que os alunos da Cásper Líbero,Puc, Metodista têm o mesmo pensamento:

“A minha faculdade é de tradição, tem nome e por isso não preciso me esforçar.”

Resultado, muitos profissionais formados sem qualificação necessária para o oficio, afinal, pagando bem o diploma vem.

Posso afirmar que alunos das chamadas “Uni´s” são mais esforçados, praticam muito mais o jornalismo do que de faculdades tradicionais. Como sabem que não estão em uma faculdade que tem peso no nome, tem que correr de outra forma, como cursos, blogs e jornais independentes.

Fica minha pergunta , indignada,para os responsáveis pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha:
A empresa consegue provar que um aluno das universidades exigidas são mais capacitados do que de outras?



Pedro Ferraz

4 comentários:

Anônimo disse...

Pedro, esse preconceito é o fim da picada. E o pior é que, muitas vezes, a própria instituição ajuda na formação dessa idéia errônea. Eu até cheguei a escrever meu poeminha Medicina Ingrata, que trata um pouco disso: Só por que não entrei na USP virei PUS ? Parabéns pelo blog, menino.

Igor disse...

Fiquei sabendo dessa vaga também. Um absurdo, né? Isso me faz pensar naquele aluno da Casper que ganhou um dos prêmios da Semana Estado e não sabia escrever um lide! É, é a vida.

Nadja disse...

Vc tem razão. Mas pode ter certeza, mesmo que seja da Cásper ou de qualquer outra tradicional, se o cara não tiver timing de jornalista, não sobrevive.
É o dia-a-dia que mostra quem são os verdadeiros capacitados.
E na hora de conseguir uma entrevista importante, de correr atrás e fazer a matéria acontecer, pouco importa onde e se vc se formou. Na hora de dar a cara a bater, pouco importa da onde veio o diploma.

Mariana Aprile disse...

Infelizmente esse preconceito existe mesmo. É o mesmo caso de alunos de biologia do Mackenzie terem preferência para diversas vagas, em detrimento de ótimos alunos de instituições "não tradicionais". Eu, quando aluna do Mackenzie, vivia sendo chamada para vagas de estágio (mesmo que os horários do trabalho com a facu fossem incompatíveis, na maior parte das vezes). Como meu curso ficou absurdamente caro, mudei de instituição e por mais que mande currículos, "não há vagas". Mesmo com um ótimo currículo de estágios. Outro dia me chamaram, no CIEE, para uma vaga (mas era apenas para mackenzistas). Revoltante isso.
No fim, vi um monte de gente se formando mackenzistas invictos, sem qualquer experiência profissional - um colega, já formado em biologia, trabalha hj de mecânico de jipes...Eu, tô na luta!


Contador Grátis