quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Imprensa Mata?

Uma das entrevistas mais oportunas do caso de Santo de André foi concedida pelo sociólogo Rodrigo Pimentel, ex-comandante do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), à revista eletrônica Terra Magazine. Nela, o ex-comandante ataca a postura das emissoras de televisão – Globo, Record e Rede TV! – na cobertura do seqüestro de Santo André em que terminou com a morte da garota Eloá Pimentel e feriu sua amiga Nayara da Silva. Na opinião dele, a cobertura foi “irresponsável e criminosa”. Lindemberg Fernandes Alves, o ex-namorado de Eloá, está preso.


"O que eles fizeram foi de uma irresponsabilidade tão grande que eles poderiam, através dessa conduta, deixar o tomador das reféns mais nervoso, como deixaram; poderiam atrapalhar a negociação, como atrapalharam...O telefone do Lindemberg estava sempre ocupado, e o capitão Adriano Giovaninni [negociador da Polícia Militar] não conseguia falar com ele", afirmou Pimentel à revista. "Esses jornalistas, criminosos e irresponsáveis, devem optar na próxima ocorrência entre ajudar a polícia ou aumentar a sua audiência", declarou o ex-comandante.

Ajudar a polícia, ficou claro, a imprensa não ajudou. Agora, quando o assunto é audiência as empresas de comunicação têm muito a comemorar. Isso é fato. A Rede Globo teve um aumento de audiência em 25% durante a cobertura do seqüestro; a Record, 43%.

Porém, um outro aspecto precisa ser analisado. As emissoras de televisão são impulsionadas pela morbidez da população, que é sedenta por tragédias. Basta verificar as cenas lamentáveis, durante o velório, de pessoas se aglomerando nas proximidades do caixão para tirar fotos do corpo da menina.

A mídia mata? Essa é a pergunta que fica para sua reflexão. E a população também não tem também a sua parcela de culpa nesta tragédia?

Um comentário:

Rodrigo Casarin disse...

Se desse traço de audiência, nenhuma emissora transmitiria o caso! Logo, a culpa é de quem não tem mais o que fazer e fica assistindo!


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