quinta-feira, 25 de março de 2010

Assassinatos

O assunto mais falado essa semana é o julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.
Ambos estão sendo acusados de jogar da janela a filha de Alexandre de cinco anos.
Se eles são culpados ou não, o júri vai decidir... Mas muita gente está esquecendo de um julgamento muito importante.


Luiz Carlos Barbon Filho foi morto a tiros aos 37 anos, no dia 06 de maio de 2007, em frente a um bar em Porto Ferreira, interior de São Paulo. De acordo com a polícia, dois homens chegaram em uma moto e atiraram no jornalista.
Segundo o Ministério Público Estadual, o assassinato foi uma represália a denúncias do jornalista sobre o aliciamento de menores em orgias sexuais. O caso envolvia policiais, empresários, políticos e comerciantes da região.
Quatro policiais militares e um comerciante local estão presos, acusados de matar o jornalista. E por que isso não vira noticia, é uma questão que eu ainda quero saber.

Hoje entrevistei a Deputada Federal Janete Piatá, do PT-SP. Ela é uma grande defensora das mulheres, inclusive uma das que melhoraram a lei Maria da Penha. Ela citou ocaso dos Nardonis e começamos a conversar sobre isso.
Sinceramente, esse crime chocou não por ser uma criança de cinco anos, ou por ser o pai quem é o principal suspeito. O caso chocou, pois é uma família de classe média alta. Igual o caso de Suzane Von Ricthoffen.

Pai que mata filho e filho que mata os pais tem toda semana nas maiores favelas do Brasil. Ai entra o preconceito. Em uma favela, para a sociedade é natural acontecer essas coisas. Mas quando um caso desse acontece numa família de classe mais alta, o choque é maior porque aparentemente tiveram educação melhor, tiveram acesso a uma cultura muito mais ampla do que os chamados “favelados”.
Agora pensemos. O que acontecerá com Alexandre e Anna caso sejam absolvidos é meio obvio de saber. A população ficará em choque e ambos nunca mais poderão sair às ruas.

Mas se os quatro policiais militares e o comerciante sejam considerados inocentes, certamente a vida vi continuar para todos, como se nada tivesse acontecido.

Vou repetir uma frase que coloquei em um post bem antigo...
Esse é o Brasil... O engraçado é que eu ainda acredito que vá par frente e mude esse país.

3 comentários:

Rose Dayanne disse...

É aquilo que aprendemos em teorias e que achamos lindo aprender: agenda setting! mas como na realidade é frustrante, sou uma constante decepcionada com a mídia... dia e noite, noite e dia, é isso.. Nardoni, Nardoni, e tals tals... Ontem debatia isso com colegas e dizia: Já estou enjoada disso: nardoni, nardoni, e tals..
Questionei a mesma coisa que vc, sobre os outros crimes barbáros que acontecem nas ruas, vielas, favelas, boates, barracos e casarões desse país... A imprensa fecha os olhos para os crimes que são cometidos quanto ela própria, como o caso da obrigatoriedade do diploma, como o caso do nosso colega falecido jornalista e tantos outros abusos!
Como disse, o que choca é a classe ao qual pertecem... Mas tb como vc eu acredito que esse país posso ser melhor um dia, pelo menos, aos meus filhos, quem sabe!

Rose Dayanne disse...

De quem é culpa?!
Não culparia os pobre coitados que recebem rotineiramente tais mensagens, alienando-se cada dia mais... Nós sabemos como é a televisão brasileira, isso é um caso histórico! Acostumou-se a populaçao com tudo isso! Acredito que essa é uma culpa compartilhada sabe, pela sociedade e pela mídia e o que pior, subsidiada pelo Estado!
Por causa de questões tão subjetivas e interpretativas como essa, que também fico na corda bamba quando se fala de controle social da imprensa, regulamentações e tals...

Anônimo disse...

Acho que existem varios aspectos a serem considerados nesta visão tua. Primeiro o local onmde ocorreu, ou seja a maior e mais influente cidade do país. Obviamente a midia de sampa se sobrepõe as demais com seus interesses proprios. A questão do crime envolver uma menina, singela, que evidentemente desperta emoções que o outro caso citado não. Enquanto um é o prato feito da emoção e exploração mjidiatica, o outro envolve cidadania e questões sociais que sempre se varre para baixo do pano.

Existe uma identificação maior com o caso que envolve uma atrocidade ocorrida em familia do que o outro
caso. Num se pode manter o interesse da população e aumentar a quantidade de paginas vistas com algumas poucas informações do que ocorre no moento do julgamento. O outro mexe com a consiciencia, valores e situações sem o mesmo apego. Cabe a vcs, novos jornalistas ajudarem a mudar isso!

PF


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