terça-feira, 27 de abril de 2010

A minha paixão


Quem pensa que a vida de jornalista é fácil está completamente enganado. Primeiro, chega-se cedo a uma redação cheia de gente mal humorada. Temos que fazer o que o editor (chefe) quer que saia no jornal. Muitas vezes suas ideias não batem com a ideologia do jornal.
Ao fazer a matéria, apurar informações temos que ter um cuidado absurdo. Muita gente acha que jornalista apenas escreve. Ledo engano. Temos que ter cuidado com o que as pessoas falam, pois nem sempre a informação é verdadeira.
A pessoa falou que era verdade a explosão? Legal, perguntamos para outra. A outra também falou isso? Ótimo, vamos procurar uma terceira fonte de informação. Essa fonte falou a mesma coisa que as três? Melhor ainda, certo? Errado, ai sim que devemos duvidar. Informação muito igual pode ser algo armado. Vamos para uma fonte totalmente diferente do caso. Essa confirmou o que todos disseram. Ok,ok, ficaremos tranquilos e vamos ao outro lado.
A explosão foi por uma empresa? Vamos ouvir a empresa. Foi um cano de rua? Vamos ouvir a prefeitura. Ninguém confirmou a explosão? Vamos falar que ninguém confirmou, mas outras fontes falaram que sim.
Depois, vem a pior parte. A hora de colocar no papel. Um jornalista mediano coloca todas as informações que coletou na matéria. Um bom jornalista coloca metade das informações. E um ótimo jornalista, escreve apenas 10%.
Não é que escondemos informações, mas colocamos apenas as coisas que realmente importam para o entendimento de uma matéria. Não escondemos fatos, e sim camuflamos.
Depois de escrever, vem a parte de apreensão. O editor lê a sua matéria. Muitas vezes ele para no lide (primeira parágrafo) e manda reescrever – já passei muito por isso. Quando isso não acontece, certamente ele pede alguma informação adicional. Raramente sua matéria vai ao impresso sem uma modificação. Quando isso acontecer, fogos e aplausos, lógico que internos.
No jornalismo, nunca deve-se esperar elogio. Nunca pode-se pensar “nossa, não estão falando nada de minhas matérias, e agora”?. Não, isso não existe. Jornalismo não é para agradar chefe, é para ficar ao lado dos problemas da população, dos fatos que afetam diretamente ou indiretamente o cotidiano de uma sociedade.
Se ninguém falar nada, é porque não está ruim. Se alguém falar algo, é porque está ruim. Aí fica bem pior o lance. Quando vão falar com você, é porque a coisa ta feia.
Um exemplo. Estava no jornal, quando o sub-editor chegou para uma repórter:
- Fulana, essa é a matéria que você escreveu? E veio a resposta.
- Sim, é essa mesma.
- Mas você só escreveu o lide, de resto você tirou do site
- É que eu não consegui mais nenhuma informação
- Então você achou mais convincente copiar do site?
- Não copiei tudo não
- A ,então sua matéria é isso aqui , cinco linhas?
- É, então minha matéria é de cinco linhas.
- Porra, nós contratamos você pra apurar e conseguir informações. Se for pra copiar do site eu mesmo faço essa merda. Isso não é jornalismo, é plágio, e pode render um processo absurdo, que rende próximo de um milhão de multa. É isso que é o jornalismo pra você, sua medíocre? Porque pra mim quem fez quatro anos de jornalismo e precisa copiar de site é jornalista medíocre.
A repórter sai da redação e fica uns vinte minutos no banheiro chorando. Ao voltar a redação, o editor pergunta:
- Você ainda acha que trabalha aqui? Por mim você já tinha ido embora.
Ela sai chorando.

Pois é, isso aconteceu realmente. Não interessa qual jornal ou quando isso, mas ai eu vi o quanto a cabeça pode rolar a cada minuto no jornalismo.
E sabe o que é pior?
Eu amo isso que eu faço, essa pressão, essa correria do dia-a-dia em que se comete um pequeno deslize e já tem a cabeça cortada.
Por isso que eu digo. Escrever qualquer um pode escrever. Ser jornalista? Aí, só pra quem pode!!!

2 comentários:

Rose Dayanne disse...

Trash!

Anônimo disse...

interessante sua exposição...explore mais o assunto...com certeza vai apurar a curiosidade de muitos.

PF


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