sexta-feira, 7 de maio de 2010

Futuro distante, diferente

Café na cama, um beijo de bom dia. Foi tudo de bom.
Acordar com algo assim não tem preço.
Tomo meu café, regado com frutas e cereais.
Levanto, escovo meus dentes. Percebo que parte do meu pijama estava furado.
-Mais tarde eu arrumo isso meu amor.
Desci as escadas e vejo meu filho, brincando no chão da sala com um mundarel de carrinhos.
Ando pelo tapete sem fazer barulho, apenas para admirá-lo a brincar. Doce infância. Sem preocupações, sem precisar entender porque às oito se levanta, as 13 almoça e as 21 vai dormir. Doce infância...
Vejo a minha estante. Muitas fotos, mas não consigo vê-las.
Vou para a cozinha. Uma jovem senhora prepara algo que parece ser o almoço, mas não vejo seu rosto.
Ando pelo corredor que sai de frente a porta da sala. Pego meu jornal. De repente, meu cachorro agarra minha pena, certamente querendo brincar. Vejo uma bola em sua boca. Eu a pego e jogo ao longe. Ele vai e volta todo feliz, abanando seu rabo e com a bola na boca.
Jogo novamente a bola quando percebo... Nunca tive cachorro.
Medo.
Lembrei que nunca fui casado. Filhos? Não mesmo, mal tive um relacionamento sério em minha vida. Minha perna começa a ficar tremula. A casa começou a parecer estranha.
-Pêssego? Eu nunca pintaria minha casa desta cor.
As mãos começam a suar. Tudo ao meu redor era estranho.
Vejo um belo carro. Certamente meu, mas nunca tinha o visto antes.
Tomo uma pancada na cabeça.
Ao acordar, ainda um pouco confuso, em meu quarto de sempre, olho para os lados. Cama de solteiro, pôsteres nas paredes, um relógio sem funcionar.
Alívio.
Depois de alguns minutos me dei conta.
Talvez por alguns goles de wisky a mais, me vi em um lugar totalmente diferente.
Me vi em um futuro, que parece bem distante. Ou bem diferente dos meus planos.
Mulher, filhos, uma casa para manter, um carro bom, cozinheira... tudo o que um ser humano normal quer ter em sua vida.
Planos, planos,planos...será que falhei ao faze-los?
Acho que não.
Acredito que o caminho tomado tenha sido outro. Quem sabe, ter escolhido virar a direita e não à esquerda. Ter subido ao invés de descer. Ter amado ao invés de ser amado. Ter planos, ao invés de viver os anos.

2 comentários:

Rose Dayanne disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rose Dayanne disse...

(Um dos seus melhores texto q já li até hj! Tamanha é a sutileza e a emoção, coisas do tipo paradoxais e introspectivas. Renúncias e propósitos... COmo disse, escolhas! Não sei porque,mas me lembrou Clarice, me lembrou G.H)


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