terça-feira, 25 de maio de 2010

A prosa do dia a dia

- Você nunca viu uma onça, cumpadi?
- Nunca não. Quando saia pra caçar eu via mais macaco, ai não dava graça.
- Nossa, noutrépucas eu saia com meu pai e ia caçar. Uma vez demos de cara com uma onça
- E ai, o que aconteceu?
- Meu pai mandou eu atirar pra cima, ele também atirou e a onça fugiu de medo
- E por que num matarô ela?
- Caus´qui a gente ia caçar pra comer dispois, e onça num si comi.

Engraçado, parece um texto fictício, mas eu ouvi essa conversa na semana passada em um bar, voltando do jornal.
Começou a chover e eu pra escapar da chuva entrei em um boteco. Nisso, ouvi esse papo de dois senhores, daqueles que deveriam frequentar esse boteco pra mais de 20 anos. Clientes que o dono, que se preocupava mais em secar seus copos e pratos, conhecia tudo. Sabia das famílias, das esposas, namoradas, amantes, mãe, pai, sobrinhos, com ou sem limão, com gelo?
As caçadas aqui na região eram frequentes. Eu vi, faz umas duas semanas, fotos antigas de Marília. Para ter uma ideia, antigas que eu digo são, no máximo, 30 anos atrás.
A cidade era um matagal só...por ser alta, a serra tomava conta daqui.
Tudo bem que muita coisa mudou, mas onde eu moro, de carro chega uns 5 minutos do centro, vejo já o final da cidade, e aquela serra ao fundo. Logo depois, o municipio de Avencas. É uma visão muito bonita.
Espero que a cidade nao avançe mais para a serra. Perder essa vista seria terrível.

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