sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E o vento ainda sopra

Essa semana foi pesada demais.
Depois colocarei uma carta em que escrevo para todos os membros da ong Marília Transparente. Um baita golpe me deram, acabaram comigo. Para piorar, todos os argumentos que me deram para eu sair eu consegui derrubar, mostrando totalmente o contrário.

Mas enfim.

Novos ensaios para o Sincretismo na ELAM. Elenco menor e agora um pouco mais complicado. Ensaios e mais ensaios. Estava sentindo falta do palco sabe. Aquele frio na barriga de cantar, de levar broncas, de ensaiar, ensaiar,ensaiar...parece que nunca está bom, mas na hora do palco, tudo parece que fica mágico.

A responsabilidade agora é maior, afinal, elenco menor e não temos a obrigação de entregar um trabalho de uma oficina cultural. A gora é nosso portifólio, é nosso trabalho que está em jogo.

Terá semana de Jazz aqui na cidade, com nomes internacionais. Bem legal o movimento aqui na cidade. Jazzbuticaba, Panela de expressão entre outras bandas e fora da cidade. Vale a pena conferir.

E clã, não poderia deixar de falar... Morreu o Povo Paul e Romeu Tuma. No mesmo dia. No mesmo horário. Acho que um era a identidade secreta de outro. Agora qual era qual, ai já não sei. Só sei que a morte de Tuma foi uma coisa boa. Coisa boa?
Sim, para quem não sabe, ele foi torturador na época da Ditadura. Ele pegava o carro emprestado da Folha de SP – sim, o jornal comprado pelo PSDB – e pegava jornalistas e estudantes para torturar. Sinceramente, foi uma boa perda para o Brasil. Agora só falta o Serra, o Alckmin e os fãs de Legião Urbana.

E lembrando, dia 21 de novembro, Paul McCartney virá ao Brasil. Arregaço, quem não for é cabaço de primeira linha...Ai certamente tem gente – vulgo meu pai- que virá dizer “Emoção passageira, isso não vale o sacrifcio”. Eu também acho que não vale ficar na frente da TV vendo 22 homens de short, meia até a canela correndo para pegar uma bola. Quando pegam, chutam ela pra mais longe ainda. E nem por isso fico falando que não vale,afinal cada um tem a emoção que necessita.

Em breve, um projeto que iria colocar na MATRA e que vou fazer aqui na cidade. Será bem legal!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ah, como eu queria

Ah, como eu queria
Ser aquela gotícula de suor que passeia em seu corpo
Ser aquele mel que escorre pelos seus lábios
Ou ser um sopro de vento, para poder mover seus cabelos

Ah, como eu queria
Ser a luz da manhã que lhe faz acordar
Ser aquele cobertor que lhe esquenta todas as noites
Ou a luz do mais belo luar

Ah, como eu queria
Ser o azul do céu que ilumina
Ser aquele caminhar calmo
Ou um sorriso de alegria

Mas sempre que me deparo com o que quero
Vejo que nunca estás por perto
Ah, como eu queria...

Ideia original de Mariana Aprille.
Reformulação e adaptação Pedro Ferraz

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Teatro, palco, luz,cenas

No último domingo estava deitado, pensando na minha nova casa, nos novos rumos q minha vida anda tomando. Acabei indo ler uma revista e liguei a TV para não ficar sozinho.

No SBT, passava o programa “De frente com Gaby”, com a jornalista artista e, sinceramente baita entrevistadora quando quer Marília Gabriela

Nota – Ela é uma baita entrevistadora quando quer, pois ela é pau mandado. É só ver o programa Roda Viva da TV Cultura.

Marília Gabriela entrevistava Luana Piovani. Uma grande atriz e agora investe bastante no teatro infantil. Uma fala dela me chamou bastante atenção.

Marília Gabriela falava sobre os projetos e Luana falou do teatro infantil. “Poxa, o teatro para crianças é sempre visto como bobo. Muitas vezes é apenas para iniciar o trabalho de ator, nunca levam tão a sério”.

E eu já havia percebido isso antes. Conseguir fazer uma peça onde a criança goste é difícil pra caramba. Falo sério. A criança não consegue fazer de conta que está gostando da peça. Ela simplesmente desvia sua atenção para qualquer formiga passando.

A última vez que fiz um teatro infantil pude perceber bastante isso. “O Lobo, os três porquinhos e o Gênio da Lâmpada”. O bacana foi que ao final todas as crianças haviam prendido a atenção na história. Mas foi bem difícil isso.

Fazer teatro infantil geralmente é visto com olhos tortos. No “Corpo & Alma” alguns torciam o nariz quando falávamos em fazer um teatro infantil. Na Elam, percebi que alguns também, mas os que toparam percebo que são atores bem melhores.

A Luana Piovani está investindo alto nesse teatro infantil. Suas peças estão cada vez maiores, está evoluindo mais ainda como atriz e quebrando uma barreira gigante, de que o teatro infantil é apenas para ser bobo. Produções como Alice e o Pequeno Príncipe mostram o quanto não devemos esquecer dos pequenos na arte...

A sim, e fiquem atentos. A Elam tem duas peças infantis que está botando pra quebrar. Primeiro é a clássica “Saltimbancos”, musical que despensa apresentações. A outra, “Forrobodó com a Nega”, que é uma peça bem engraçada que, sinceramente, não é apenas infantil. Tem um “Q” mais adultos. E aquela menina que faz a beata...un...coisa linda :P

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do professor. Podemos comemorar?

Hoje, 15 de outubro estamos comemorando o dia do professor. Aqueles que nos ensinam, que nos fazem ter gosto pelo aprendizado e que formam boa parte de nosso caráter, desde a primeira série até o término do colegial, isso quando não vamos para uma faculdade.
Infelizmente aqui no estado de SP a realidade é outra.
Como a maioria sabe, venho de escola pública. O ensino está cada vez pior. O professor não pode ensinar de verdade, precisa seguir uma cartilha dada pelo governo. E ai daquele que reclamar, é cassetete na orelha.
O professor anda de mal a pior. Não o profissional, mas o que andam fazendo com ele. Colocam mais de 50 alunos na mesma sala de aula. Dentre os 50 alunos, aproximadamente dois realmente querem aprender alguma coisa.
Na rede estadual, a aprovação é automática. Todo mundo sabe disso, inclusive o aluno. Lembro-me de meu segundo colegial, quando uma professora ameaçou um aluno, por volta de setembro. O aluno respondeu que a professora não poderia ter mais autoridade que o governo, e que o governo quer que todo mundo passe de ano, mesmo não aprendendo nada. E o pior é que isso é verdade.
Eu repeti a quinta série. Entrei em uma escola terrível e acabei andando com pessoas que só iam para a aula para atrapalhar mesmo. Mas eu iria passar de ano. Quem fez uma “briga” e me repetiu foi minha mãe. Veja bem, o ensino já não é grande coisa, ai vem a diretora e fala para a mãe de um aluno que não havia feito absolutamente nada em um ano letivo “é só ele entregar um trabalhinho que a gente o transfere para a sexta série”.
Um absurdo isso. E o pior é que está cada vez mais comum essa história.
Segundo um dos candidatos a presidente, um careca que parece o Sr. Burns mas não fica legal falar o nome dele aqui, nas escolas estaduais existem dois professores em cada sala de aula. Alguém que more no estado de SP e lê essa patifaria de blog, sabe de alguma escola que tenha dois professores? Pois eu nunca vi.
Os professores, em Março deste ano, foram reclamar um ajuste salarial. Eles estavam com congelamento na folha há seis anos e falaram em aumento proporcional a inflação. O aumento dado foi de 3,5%, sendo que a inflação no ultimo ano foi de 12%.
Os professores da rede pública, seja municipal ou estadual, não têm mais o respeito que deveriam ter. Os alunos estão em uma época do “tudo pode”, e beira a falta de respeito em muitos casos. Alunos que vão armados para salas de aula, professores não conseguem dar aula.
Lembro-me na época do colegial quando alunos fumavam maconha na sala. Se o professor falasse algo, certamente não iria ficar bem para ele depois. X9 acaba com a boca cheia de formiga mesmo.

Mas vamos pensar que isso também não está dentro de solução do Estado. É a base familiar que determina o caráter e o que a pessoa faz. Eu sempre aprontei muito na escola, e admito ter aprontado até na faculdade, mas nunca faltei com o respeito para com o professor. Isso vem de casa. Minha mãe e meu pai sempre me mostraram o quanto é necessário o respeito ao mestre. Ele não é babá dos alunos, mesmo algumas mães achando o contrário. Ele está lá para nos dar o mínimo possível de conhecimento, já que o Estado não permite um ensino de qualidade.

Então parabéns mestres. Queria dar um abraço aos inesquecíveis
Prof. Maria Lúcia – 2ª série
Prof. Rosangela – 3ª série
Prof Yara – entre a 6ª e o segundo colegial
Prof. Maria Isabel – a que mais me incentivou a escrever e falava que eu teria um grande futuro caso investisse nisso. Vou cobrá-la desse grande futuro.
Prof. Siomara – Português da faculdade. Segurou uma barra por mim
Prof. Paulo Rodolfo de Lima – Meu orientador de TCC e grande pessoa
Prof. Zarahi – Maluco beleza da facul. Bebíamos na vila Madalena
Prof. Vasco Filho – Aula magnífica de política na faculdade
Prof. Marcos Horácio – Responsável pelos pensamentos críticos e não conformismo da faculdade
Prof. Claudia Costa – Mostrou como é jornalismo de verdade
Professora Vilma – Ela roubava criancinhas, heheh, nada, dava aulas de teoria musical
Professor Aurélio – Aulas de guitarras e tirávamos altos sons.

Obrigado a todos. Se algum professor não foi mencionado, desculpe-me, mas não marcou em porra nenhuma minha vida!

Votarei no Serra

Eu ia Justificar, mas cansei.
Basta! Vou votar no Serra.
Vu pra SP no dia 31 só para isso

Alguém mais se identifica?
Ainda mais pra quem gosta
de discutir política sem
embasamento nenhum.


"Cansei...Basta"!
Vou votar no Serra...

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato
demais. O salário dos pobres aumentou e qualquer um agora se mete a comprar
carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.

Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum,
a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus
celulares.

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa
de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel,
agora navega...
Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro baixo,
todo mundo tem carro, até empregada doméstica. " É uma vergonha! ", como dizia
o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar porque, como em
S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35
km e cobrar caro.

Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem
até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire,
agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz.

Vergonha, vergonha, vergonha...

Cansei de ir a banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial.

Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do sítio de um amigo agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode?

Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia
ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo,
SBT, Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da "Veja"
passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço e de escolas públicas, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito...


Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria.
E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha vai passar férias no exterior. É o fim...

Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as
emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e
aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender
com altos lucros. Chega dessa baboseira politicamente correta, dessa
hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco... Quem pode,
pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa se meu pai era mais esperto que
os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça?
Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior.

Quero os 500 anos de oligarquia autoritária, corrupta e escravizante de
volta. Quero também os Arminios Fragas & outros pulhas, que transformaram a
Vale e a Embratel em meros ativos para vender a preço de banana para os "amigos do rei". Quero de volta a quadrilha do FHC, escondendo escândalos, maracutaias e compra de votos no Congresso. Onde já se viu: nesta terra sem
lei chamada Brasil, só a direita corrupta tem o direito de roubar, o resto
tem que trabalhar duro, com salário de fome para que os tubarões,
empresários e banqueiros, comprarem seus jatinhos e iates além de mandarem
dinheiro para paraísos fiscais. Quero o Serra & quadrilha fazendo pelo país o que fez com os funcionários públicos, professores, médicos e policiais do Estado de São Paulo passarem 14 anos à míngua. Tem que arrebentar essa pobralhada.

Eu ia justificar, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta!"

PT x PSDB

Do blog "Entre o Girassol e o Espelho"

O segundo turno das eleições 2010, é uma grande oportunidade para todos brasileiros decidirem o futuro e PELA PRIMEIRA VEZ da pra comparar o que os TUCANOS e os PETISTAS fizeram. Afinal, os dois tiveram a mesma chance...


8 anos de governo FHC com o SERRA e estamos completando 8 anos de governo LULA com a DILMA.
Normalmente as palavras se perdem ao vento... os políticos podem falar o que quiserem... A Dilma vai falar, o Serra vai falar mas o melhor mesmo é usar os números, que mostram as comparações fiéis.
Como ninguém governa sozinho e cada partido tem uma ideologia, agora podemos comparar e decidir. PT ou PSDB?


Principais Ministros:
FHC: José Serra (Ministro da Saúde e Ministro do Planejamento)
LULA: Dilma Rousseff(Ministra de Minas e Energia e Ministra Chefe da Casa Civil)
Juros Nominais (Taxa Selic):
FHC: 25% ao ano (2002)
LULA: 8,75% ao ano (2008)
Inflação (IPCA):
FHC: 12,5% (2002)
LULA: 4,3% (2009)
Transações Correntes:
FHC: Déficit de US$ 186,5 Bilhões (1995-2002)
LULA: Superávit de US$ 44 Bilhões (2003-2007)
Exportações:
FHC: US$ 60 Bilhões (2002; crescimento de 39% em 8 anos)
LULA: US$ 153 Bilhões (2009; crescimento de 155% em 7 anos)
Crescimento Econômico:
FHC: 2,3% ao ano (1995-2002)
LULA: 5,3% ao ano (2004-2008)
Empregos Formais:
FHC: 1.700.000 (1995-2002)
LULA: 9.700.000 (2003-2009)
Balança Comercial:
FHC: Déficit de US$ 8,7 Bilhões (1995-2002)
LULA: Superávit de US$ 237 Bilhões (2003-2009)
Taxa de Desemprego:
FHC: 10,5% (Dezembro de 2002)
LULA: 6,8% (Dezembro de 2009)
Risco-País:
FHC: 1550 pontos (Dezembro de 2002)
LULA: 220 pontos (Janeiro de 2010)
Reservas Internacionais Líquidas:
FHC: US$ 16 Bilhões (Dezembro de 2002)
LULA: US$ 241 Bilhões (Janeiro de 2010)
Relação Dívida/PIB:
FHC: 51,3% do PIB (Dezembro de 2002)
LULA: 43% do PIB (Novembro de 2009)
Déficit Público Nominal (inclui despesas com juros):
FHC: 4% do PIB (2002)
LULA: 2% do PIB (2008)
Dívida Externa:
FHC: US$ 210 Bilhões (Dezembro de 2002) – 45% do PIB
LULA: US$ 0
Inflação Acumulada (IPCA):
FHC: 100,6% (1995-2002)
LULA: 45% (2003-2009)
Pronaf:
FHC: R$ 2,5 Bilhões (2002)
LULA: R$ 15 Bilhões (2010)
ProUni:
FHC: Não existia
LULA: 470 mil estudantes beneficiados
PIB (em US$):
FHC: US$ 459 Bilhões (2002)
LULA: US$ 1,8 Trilhão (2009)
Produção de automóveis:
FHC: 1.791.000 (2002)
LULA: 3.130.000 (2009; crescimento de 74,8%)
Produção de máquinas agrícolas:
FHC: 52000 (2002)
LULA: 65000 (2007; crescimento de 25%)
Vendas de automóveis zero KM:
FHC: 1.465.000 (2002)
LULA: 3.140.000 (2009; crescimento de 114%)
Renda Per Capita:
FHC: US$ 2859 (2002)
LULA: US$ 9.300 (2009)
Coeficiente de Gini (Indica a Distribuição da Renda do Trabalho; quando mais próximo de 0 menor é a concentração da renda):
FHC: redução de 0,602 (1993) para 0,593 (2002)
LULA: redução de 0,593 (2002) para 0,544 (2008)
Indice de Pobreza:
FHC: 38,6% (1995); 38,2% (2002) – queda de 0,6%
LULA: 38,2% (2002); 25,3 (2008) – queda de 12,9%
Gastos Sociais Públicos (% do PIB):
FHC: 19,2% (1995)
LULA: 21,9 (2005)
Pobreza Extrema:
FHC: De 17,3% (1995) caiu para 16,5% - queda de 0,8% (2002)
LULA: De 16,5% em 2002 caiu para 8,8% - queda de 7,7% (2008)
Renda per capita mensal dos 10% mais pobres:
FHC: 2001 – R$ 34
LULA: 2008 – R$ 58 (crescimento de 70,6%)
Renda per capita mensal dos 10% mais ricos:
FHC: 2001 – R$ 2316
LULA: 2008 – R$ 2566 (crescimento 10,8%)
Gasto público:
FHC: 477,8 bilhões de reais entre 2001/2002
LULA: 468,7 bilhões de reais nos dois primeiros anos
Salário mínimo:
FHC: R$ 100,00 quando assumiu o governo e depois exatos quatro anos, o valor real foi reduzido para R$ 98,83, pois a inflação foi maior do que o reajuste salarial
LULA: R$ 510,00, o salário mínimo teve o maior aumento real dos últimos 40 anos, na casa dos 25,8% (já desconsiderando a inflação do período)
Pesquisas:
FHC: Termina o mandato com 30% de aprovação no país;
LULA: Termina o mandato com 80% de aprovação no país;
CNI/IBOPE mostra que 61 % da população consideram o Governo LULA e DILMA melhor que o Governo FHC e SERRA

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Para você que não votou na Dilma

por Leonardo de Souza *

Você não votou na Dilma no primeiro turno. Também não pretende votar nela no segundo turno. Não apenas você não vai votar nela, como você tem alertado sobre os perigos de se votar na candidata petista. Você tem suas razões para achar que o voto em Dilma não é o melhor para o Brasil.
Eu não penso como você. Entendo que o melhor voto para o Brasil é o voto em Dilma Roussef, e não em José Serra.

A principal razão que, no meu ponto de vista, justifica o voto em Dilma não é uma única razão. Na verdade, são 53 milhões de razões: entre 2003 e 2008, foram 21 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e outros 32 milhões que ascenderam à classe média. Os números dos que chegaram à classe média correspondem mais ou menos ao total de torcedores do Flamengo, e os que saíram da pobreza correspondem aproximadamente à torcida do Corinthians. É isso mesmo: o número de brasileiros que melhoraram de vida na Era Lula é um pouco menor que a soma das torcidas do Flamengo e do Corinthians. A pobreza extrema no país foi reduzida à metade nos anos Lula. Esse salto não se deveu apenas ao bom momento econômico. Isso é fruto de medidas específicas do Governo Federal, tais como o Bolsa Família e o Bolsa Escola.

Você chama esses programas de assistencialistas, de demagogia paternalista. Na sua concepção liberal de “Estado mínimo”, esses programas não têm justificativa. Mas os países socialmente mais justos foram aqueles em que o Estado assumiu um papel ativo na promoção do bem estar social. Você condena os programas brasileiros, mas, quando vem à Europa, se embasbaca dizendo que a Suécia ou a Dinamarca é que são países “de verdade”, pois se importam com seus cidadãos. Os programas sociais brasileiros são irrisórios se comparados aos de países da Europa ocidental. Por que você etiqueta os programas assistencialistas suecos de “justos” e os brasileiros de “demagógicos”? O número de programas de suporte social de um país como a França é muito superior ao do Brasil. Para você ter uma ideia, aqui eu recebo uma ajuda de moradia, fornecida pelo governo francês a todo estudante que paga aluguel, seja ele francês ou não. Isso custa uma grana preta aos cofres franceses. Certa vez, comentei com um colega no trabalho que recebia essa ajuda. Nunca vou me esquecer do que ele falou: “Puxa, nem sabia que isso existia aqui na França. Sou classe média, não preciso desse auxílio, mas fico feliz de saber que os impostos que eu pago servem para ajudar estudantes como você”. Isso é civismo. É impensável ouvir isso da classe média brasileira, notória pelo seu acivismo. O que se ouve deles é que “a classe média é explorada”.

Você deveria é ficar feliz de saber que parte de seus impostos são destinados a ajudar os brasileiros que podem menos. Votar em Dilma é votar na continuidade desses programas. É a garantia de que mais compatriotas irão melhorar de vida. Ou você acha que vai manter esses programas um cara cujo vice propôs punir quem dá esmolas e que chamou o Pronasci de “bolsa-bandido”? Um cara cuja esposa chamou o Bolsa Família de “bolsa vagabundagem”? Você acha que esse senhor tem capacidade de diálogo com os mais desprovidos? Um cara que diz não entender os sotaques de goianos, mineiros e pernambucanos? Um cara que, como bem observou Idelber Avelar, inventou a favela de plástico? Um cara que diz para uma eleitora na favela, “Não posso conversar agora. A senhora não poderia me mandar um fax?”? Esse senhor não demonstra ter canais de comunicação com os pobres. Serra diz que vai manter os programas sociais. Só que eu não confio no que Serra diz. Aliás, não confio sequer no compromisso que ele assume por escrito em cartório.

Foi sob o Governo Lula que a economia brasileira conheceu um período de crescimento expressivo, inclusive durante a crise mundial. Conheço seu argumento: “Lula continuou o que FHC fez”. Só que o próprio FHC reconheceu recentemente que a gestão econômica do PT tem méritos próprios. Insistir na tese de que tudo de bom da economia brasileira não tem sequer uma contribuição da equipe econômica de Lula, mas apenas de FHC e do Plano Real, tem tanto sentido quanto dizer que a pujança da indústria automobilística brasileira nos dias atuais é mérito de apenas um homem: JK.

Não foi apenas no plano econômico que a gestão Lula foi primorosa. Há que se destacar a revitalização do sistema universitário público. Comparar a gestão Lula com Paulo Renato é como comparar o Barcelona ao Madureira. Foi nos anos FHC que o ensino superior privado conheceu fulgurante expansão – na maior parte das vezes, sem a contrapartida da qualidade –, rifando vagas universitárias a megagrupos empresariais. Ao mesmo tempo, as universidades federais entraram em processo de sucateamento: Paulo Renato cortou verbas, restringiu concursos para professores e funcionários, priorizou a expansão do ensino privado, não promoveu uma política de assistência estudantil. Fiz o curso médico na UFMG durante os anos FHC. O descaso governamental provocava greves recorrentes (a de 1998 foi marcante) e provocou inclusive o fechamento do Hospital das Clínicas da UFMG, pelo simples motivo de que a verba federal não era repassada: centenas e centenas de alunos, além de milhares de pacientes carentes, sofreram com o fechamento do hospital. Hoje, o campus da UFMG tem outra cara: prédios novos e modernos foram inaugurados (Economia, Farmácia, Odontologia, Engenharia).

A Cynthia Semíramis concorda comigo. Lula investiu no ensino superior: criou 14 universidades federais e outras dezenas e dezenas de escolas técnicas, muitas delas em regiões menos desenvolvidas do país. Foi a política de Lula que permitiu a criação, por exemplo, do Instituto de Neurociências de Natal, que já está aí, repatriando pesquisadores e fazendo pesquisa em alto nível. Cargos docentes foram criados e a carreira universitária foi valorizada, em flagrante contraste com a ativa promoção da penúria que marcou a gestão Paulo Renato. Tudo isso propiciou que os mestres e doutores formados no Brasil ocupassem cargos na universidade brasileira, evitando o brain drain que por tantos anos sangrou a academia brasileira.

O salto na pesquisa brasileira desde a eleição de Lula é bastante expressivo. Em 2003, os investimentos em ciência e tecnologia foram de 21,4 bilhões de reais; em 2008, já atingiam R$ 43,1 bilhões. Paralelamente, houve notável aumento da produtividade científica brasileira: as publicações em peer-review journals saltaram de 14.237 em 2003 para 30.415 em 2008. Subimos da 17ª posição no ranking da SCImago, em 2000, para a 14ª, em 2008. Passamos países com maior tradição de pesquisa, como a Suíça e a Rússia. A política de pesquisa do Governo Lula foi elogiada inclusive pela Nature, uma das revistas científicas mais importantes do mundo (aí, Tio Rei, coloque mais essa na lista do jornalismo chapa-branca). Eu não voto em José Serra porque não quero que a universidade e a pesquisa brasileiras sejam sucateadas novamente. Não merecemos outro Paulo Renato.

Você diz que o governo do PT é anti-democrático, que ele coíbe a liberdade de expressão e que ele ameaça a liberdade de imprensa. Você acha que o PSDB representa uma proposta democrática. Discordo nos dois pontos. Houve declarações atrapalhadas do governo no que diz respeito à imprensa, e não aprovo a atitude de Lula no episódio Larry Rother. Mas daí a dizer que governo do PT é anti-democrático e que cerceia a liberdade de imprensa vai uma distância muito grande. Nem mesmo FHC sustenta que o Lula é stalinista – só aloprados como Olavão e o Tio Rei é que alimentam besteiras assim. Se, como você diz, o PT censura a imprensa a seu favor e coloca um monte de jornalista chapa-branca nas redações de todo o país, olha, então o PT tem que aprimorar seus métodos. Dê uma olhada nas últimas capas da revista semanal de maior circulação do país, ligue a TV no principal canal, ou visite um dos blogs políticos mais acessados e veja (ops!) se há algum indício de que o PT tolhe quem fala mal dele e quem aponta as lambanças do partido. Aí você diz que, no governo Lula, tentou-se criar o Conselho Nacional de Jornalismo e que isso era uma tentativa ditatorial de controlar a liberdade de imprensa. Se isso é ditadura, sua lista de governos anti-democráticos deve incluir também países em que o Conselho já existe, como a França e a Inglaterra, como bem lembra Jânio de Freitas. Você critica a TV Brasil, dizendo que o governo não tem que manter canal de TV. Diga isso a um francês. Ele vai lhe dizer que na França não existe um canal de TV nacional que seja público. Existem cinco.

Eu também li o editorial do Estadão, dizendo que Dilma é “o mal a evitar”, por representar uma ameaça à democracia e à liberdade de imprensa. Você achou bonita essa defesa do “Estado de Direito”, né? Por que o Estadão nunca fez um editorial como esse quando o Brasil efetivamente vivia sob uma ditadura, nos anos de chumbo? Por que, dias depois desse editorial, esse mesmo órgão que se põe como baluarte da democracia plural demitiu sumariamente uma colunista que apoiou o Bolsa Família?

E será que o PSDB é tão comprometido assim com a democracia constitucional e com a liberdade de expressão? E os arapongas da Abin na gestão FHC? De qual partido é Eduardo Azeredo, que propôs uma lei de controle da internet que é carinhosamente chamada de AI-5 digital? De qual partido é Yeda Crusius, que mobilizou a PM gaúcha para espionar uma deputada de oposição, inclusive suas crianças (via Idelber)? De qual partido é Beto Richa, que censurou sete pesquisas eleitorais, um blog e até um twitter? E o que dizer do Serra, que telefonou a Gilmar Mendes para que ele tomasse a decisão que o PSDB preferia, no que diz respeito aos documentos necessários à votação? Isso é respeito às instituições democráticas?

Você reprova a política externa do Lula, dizendo que ele desonra a democracia brasileira, privilegiando o diálogo com regimes fechados e ditatoriais. Então me responda: onde estava sua indignação quando FHC condecorou o ditador peruano Alberto Fujimori com a Ordem do Cruzeiro do Sul?

Você vê com maus olhos as alianças políticas do governo Lula e acha que isso é um argumento forte para não votar no PT. Eu também não gosto do Sarney, do Collor, do Calheiros, do Temer, do Hélio Costa. Preferiria que eles estivessem longe do poder. Mas já passamos da idade de acreditar em purismo ideológico, né? Isso é coisa de adolescente que descobre a política. Fazer política é fazer alianças, muitas das quais difíceis de serem engulidas. Vai me dizer que você gostava de ver o sociólogo da Sorbonne de mãos dadas com o PFL de ACM e cia.? Você gostava de ver o Renan Calheiros como Ministro da Justiça do FHC? Talvez você nem sequer goste do Índio da Costa… Bem vindo à real politik, mon ami.

E sim, você vai me falar da corrupção na gestão petista. É verdade. No que diz respeito ao combate à corrupção o governo Lula não foi virtuoso – longe disso. Houve mesmo bastante corrupção. O mensalão existiu, não foi invenção. Mas, será que a oposição é impoluta e pode mesmo posar de moralmente superiora? Lembra-se do Mensalão Mineiro e do Azeredo? Do Ricardo Sérgio de Oliveira, caixa do alto tucanato, que levou R$ 15 milhões na privatização da Vale? Dos R$ 400.000 a cada deputado que votou a favor da reeleição? E o esquema de corrupção e espionagem, revelado no escândalo dos grampos durante a privatização da Telebrás, envolvendo FHC, o presidente do BNDES (André Lara Resende) e Luiz Carlos Mendonça de Barros (ministro das Comunicações)? E a farra do Proer? E o favorecimento ilícito da Raytheon na instalação do SIVAM ? E a endinheirada relação entre Chico Lopes (ex-presidente do BC) e o banqueiro Salvatore Cacciola? E Eduardo Jorge, assessor pessoal de FHC envolvido em diversas negociatas, inclusive em “caixa dois” para a reeleição de FHC? Por favor, não me venha com essa conversa de que o PSDB não compactua com a corrupção.

Eu vou concordar com você que o Brasil precisa de investimento em infra-estrutura: portos, rodovias, aeroportos. Mas será que o governo que impôs à população brasileira o racionamento de energia é mesmo o mais preparado para conduzir esses avanços em infra-estrutura? Acho que não.

Mas talvez nenhuma dessas questões sobre economia, educação e gestão pública importem para você. Talvez o que mais lhe opõe à candidatura de Dilma Roussef sejam questões religiosas. Pode ser, por exemplo, que você se oponha à política petista em defesa dos direitos civis dos homossexuais. Você chama isso de “tentativa de implantação de uma ditadura gay no Brasil”. É engraçado ouvir que existe ditadura gay no Brasil das mulheres-fruta, das dançarinas de axé, da erotização infantil, das peladonas do carnaval, das bancas em que pululam revistas masculinas de orientação heterossexual. Fique tranqüilo, essas coisas vão continuar acontecendo e ninguém está propondo instituir o monopólio da G Magazine entre as revistas de entretenimento adulto (fugiremos juntos do Brasil quando isso acontecer, ok?). Estamos falando em estender a uma pequena parcela da população os direitos civis desfrutados pela maioria. Nenhum governo do mundo tem poder para forçar alguém a assumir determinada sexualidade, porque os determinismos neurobiológicos da sexualidade passam ao largo da legislação dos homens – do contrário, eu acharia que os labradores machos lá do sítio da minha família só montam um no outro porque o governo PT apóia a causa homossexual (e eu desconfio que meus labradores não entendem muito bem o que seja o PL 122). A questão aqui é apenas garantir que a expressão de determinado comportamento sexual não seja discriminada. Isso não é forçar a população a ser homossexual, nem calar heterossexuais. O prefeito de Paris é gay, assim como o de Berlim e a Primeira Ministra da Islândia. Eu, heterossexual, não sofro por morar em uma cidade governada por um gay.

Aproveitando o tema, permita-me uma pergunta: o que aconteceria se, ao invés de se mobilizarem maciçamente contra o “casamento gay”, os evangélicos se movessem por coisas que importam, como metrôs, ensino público, bons hospitais e punição a corruptos? Por essas e outras, é que indicadores como mortes violentas, saneamento básico e crianças nas escolas são bem melhores em Paris do que em São Gonçalo, cidade do Brasil com maior concentração de evangélicos. A luta contra a miséria e os embates por educação, transporte e hospitais de qualidade não parecem sensibilizar evangélicos – mas se dois marmajos querem juntar escovas de dentes no mesmo copo do banheiro, aí eles entram na briga, né? Essa miopia política acívica atrasa o país. O Brasil seria bem melhor para todos se os evangélicos batalhassem politicamente por coisas que realmente importam – e isso certamente não inclui ajustar o mundo aos estritos códigos comportamentais que defendem.

Há o aborto também. Você está certo: a Dilma é a favor do direito ao aborto (este vídeo é como batom na cueca, não tem o que discutir). Mas preste atenção: estamos tratando de uma eleição presidencial, não de um plebiscito sobre o aborto. E você sabe: o presidente não tem poder para assinar um papel e legalizar o aborto por conta própria, sem aprovação do Congresso, como se estivesse assinando uma ordem para comprar canetas Bic para escolas públicas. A discussão e a legislação sobre aborto são matéria do Congresso, não do presidente. Não misture as coisas. Não entre na onda dos que estão transformando essa eleição em um plebiscito.

O Brasil melhorou muito sob a égide de Lula. A imprensa mundial, dos veículos mais à esquerda aos mais à direita (tá aqui o Figaro que não me deixa mentir), saúda os avanços na Era Lula. Você dirá, com razão, que toda unanimidade é burra. Sim, é verdade. Mas isso não significa que toda forma de discordância é inteligente. Não é inteligente negar que, nos anos Lula, o Brasil se tornou um país socialmente mais justo e menos desigual. Isso é negar os fatos. E negar os fatos nunca é inteligente.

Você pode até não votar na Dilma, por razões várias. Eu, de minha parte, prefiro apoiar quem tem feito do Brasil um lugar melhor para o maior número possível dos filhos deste solo: os brasileiros.

* Leonardo de Souza é médico formado pela UFMG. Especialista em Neurologia, trabalha desde 2005 no Centro de Doenças Cognitivo-Comportamentais do Hospital da Pitié-Salpétriêre, em Paris. É doutorando em neurociências na Université Paris VI. Este texto foi publicado inicialmente em seu blog: aterceiramargemdosena.opsblog.org.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ah, as lembranças


Noite em claro é assim. As sombras sempre fazem desenhos nas paredes. E nessa noite, não foi nada diferente.

A noite estava gélida. Me sentia no sul do país,mas não estava lá. Muita coisa vinha a minha cabeça. Muitas memórias, muitos presentes e quem sabe algo do futuro.

Vozes surgiam em minha mente. Acendi um cigarro. “Se minha esposa souber que ando fumando novamente ela me mata”, pensei comigo mesmo.

O cigarro me fazia esquecer um pouco desse frio. Estava despreparado. Até tinha blusas e um cobertor, mas estavam no meu quarto e não queria me deslocar para pegá-los.

Lembro de minha filha um dia comentando comigo “Pai, um dia você vai estar sozinho e vai se arrepender de tudo o que já fez”. Ela falou isso porque estava com raiva. Pena ela ter partido sozinha. Infelizmente a fatalidade aquele dia acabou comigo. Ela, toda nervosa, saiu de casa, apenas porque dei uma bronca nela. Ela me engravida e não tinha certeza de quem era. Nossa, minha vontade foi de bater muito nela, mas falei boas merdas. Quando ela saiu de casa, uma pena, aquele carro veio e acabou com uma vida que mal havia começado. Infelizmente ela partiu brigada comigo. Meu Deus, essa dor que nunca acaba.

Essas noites de insônia nunca me deixam tranqüilos. Olho para a lua, olho para o céu...sempre negro como meus pensamentos. Há muito tempo venho pensando se minha vida realmente vela a pena.

Agora, com minha esposa no hospital, preciso de mais força...ah, as memórias. Lembro-me quando a gente se conheceu. Estava tão frio quanto hoje. As nuvens baixas deixavam uma linda neblina no ar. Eu a vi chorando na rua perguntei o que a fazia tão triste e que os olhos dela eram lindos para ter alguma lágrima. Foi o primeiro sorriso que consegui tirar dela, de muitos outros. Desde então, não nos separamos mais. São exatos 16 anos dessa alegria, mas desde que nossa menina se foi ela anda doente.

Sem minha menina fico pensando que a minha vida não vale muito a pena. Mas sempre penso que se eu partir, o rombo no coração de minha amada será maior do que já está...Ah, as lembranças.

Minhas palavras são soltas no ar, assim como minhas lembranças...merda de brasa que cai na roupa...Minhas memórias vão e vem na maior facilidade. Primeiro beijo, primeira namorada, primeiro dia de aula, primeiros passos, primeira briga, primeira vez, primeira nota boa,o que sempre foi raro...Mas desde que a menina se foi, as memórias são apenas aleatórias.

Lembro-me do primeiro sorriso dela. Ainda na maternidade, a enfermeira a pegou e levantou para tirar uma foto, através do vidro mesmo. Foi ai que ela sorriu. E o papai babão aqui se derreteu todo. E hoje, só as lembranças me acompanham...

(o telefone toca)

Não posso acreditar...pelo menos a minha vida agora tem um outro sentido.

(Ouve-se um barulho de tiro)

domingo, 10 de outubro de 2010

Perfume

A tarde já não fazia mais tanto sol. O dia estava quente, mas o sol já estava se escondendo por entre vales e montanhas da serra paulista.
Dentro daquele salão, com computadores e crianças, a vejo. Cabelos claros, como fios do mais puro ouro. Amais pureza das purezas que já vi em minha vida.
Os olhos verdes reluziam naquele final de tarde. Um leve caminhar pela cachoeira me fez imaginar que o mundo poderia acabar ali, que eu estaria feliz demais para lamentar algo.
Aquela língua presa, um sotaque e os óculos me fizeram ter a certeza que nunca mais sairia de minha mente. Uma rápida visita até um alambique. E veio um trecho de um diálogo que nunca esqueci. “Óculos, sotaque de caipira e língua presa”. Logo pude responder. “Se melhorar estraga”.
Ao adentrar no carro, aquele perfume tomava conta do ambiente. “Nossa, que perfume maravilhoso”. Não sei porque fiz esse comentário. Acho que pensei alto demais, mas tive tempo de arrumar. “Que perfume?” “Esse, de natureza”. Porque falei isso não sei. Talvez pela minha timidez, talvez pelo fato de ter medo de sofrer uma represália. Só sei que esse mesmo perfume nunca mais foi esquecido.
Fomos para um sítio onde fabricavam mel. Lá, o mel se tornará amargo perto da doce voz dela. A magia de seu olhar, a maciez de sua pele me contagiava cada vez mais. Curtia cada segundo ali perto, pois sabia que meu contato não iria além disso.
Ao ir embora, eis que pergunto. “Que perfume você usa?” Ela riu e falou o nome do tal. Assim que entrou no ônibus, sabia que seria meu último contato.
Tentar um beijo? Jamais, isso não teria boas consequências. Tentar um contato futuro? Boa ideia. Trocamos telefones. Nunca liguei, mas sei que também marquei sua vida.

Mas que esse perfume ainda me desnorteia...Ah, uma Branca sensação de cabeça perdida...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Workshop – Roadie. Profissão ou aquela força!

No dia 20 de novembro, darei um workshop sobre roadie no estúdio da banda LADOS OPOSTOS- www.bandaladosopostos.com.br - no bairro do Tatuapé, em São Paulo. O preço será um quilo de alimento, exceto sal e açúcar,a partir das 14hs.
Vou falar o que realmente faz um roadie, como trabalhar como roadie, quais habilidades é necessário ter, o que pode e não pode fazer como roadie, a rotina e a confiança que o trabalho tem que passar.
O workshop será no estúdio para assim podermos montar um palco para show completo, desde os cabos de energia até afinação dos instrumentos. Vou colocar uns problemas proposital para mostrar como agir em casos de corda estourando, pedestais de bateria caindo, microfones falhando entre outras coisas. A duração será de três horas e terão 10 vagas. Caso a procura seja maior, outro horário será aberto.
A inscrição pode ser feita no email pedrovferraz@hotmail.com até uma semana antes do workshop. Até lá

Curriculum

Comecei como roadie em 2000 com a banda Holy Water, de Heavy Metal Tradicional. Depois fui trabalhar com o tecladista José Cardillo, Holy Sagga, Abstract Shadows, Engrave, entre outras bandas.
Trabalhei como guitarrista Roland Grapow(ex-Helloween, atual Masterplan), Tuatha de Dannan (MG), Lados Opostos – Hardcore – Festa de 5 anos da Roadie Crew, onde a maioria da elite do metal nacional esteve presente e Shaman.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O vento batia em meu rosto. O frio cortava brutalmente e eu não queria me agasalhar. O frio faz parte de nossas maiores sensações e que sempre tentamos esconder.
Seria viagem minha pensar no frio?
Não sei.
Acredito que tudo isso era apenas uma palavra que não saia de minha mente.
O céu nublava, a neblina deixava a visão mais difícil. E tudo passava cada vez mais rápido.
Um cigarro? Porque não. Seria bom um vinho também. Obrigado. Nossa, já está tarde. Mas você está sozinha, não tem perigo? Nossa, foi bom.Quer um cigarro? Qual marca tem? Qualquer uma, o leite é para doação mesmo. Esses são meus pais, casados há cinqüenta anos. Que maravilha, nossa casa. Um carro? Porque não. É um menino. Ele acordou,é a sua vez. Foi demitido do trabalho? E agora? Vamos mudar de cidade de novo? Quando vamos para em um canto? É uma menina. Nossa, o júnior já está na escola. Que lindo o dente dela caiu. O júnior repetiu de ano. Surra não, você sabe como seus pais te bateram bastante e você não ficou normal. A Mariazinha está doente. O júnior repetiu de novo,agora pode bater. Ele falou que vai se esforçar mais. Que bacana, a Maria conseguiu uma bolsa. GRAVIDA DE NOVO? Ok,eu opero. O João conseguiu finalmente sair da escola. Quase que a Mariazinha alcança ele. A Mariazinha ta grávida. Seremos pais e avós quase ao mesmo tempo. Vai nascer. Vai nascer. Nossa,já estão grandes né. O João foi preso,dirigindo bêbado. A Mariazinha vai casar com o Gustavo.Ai meu peito. Não é nada. O doutor falou que você não pode subir escadas. Ai meu peito de novo. Meu Deus, três filhos e nenhum dinheiro. Queria ter nenhum filho e três dinheiros. Nossa,seu pai morreu, e você está indo pro mesmo caminho. Fumando de novo? O médico falou que não poderia nem fodendo. O Júnior sumiu faz três dias com aquela garota. Eles falam que não namoram,acredita? O que é isso, Umbrela?

Pois é, a vida passa muito rápido.

domingo, 3 de outubro de 2010

Eleições 2010

Dilma leva no primeiro turno.

Alckmin leva no primeiro, mas se tiver segundo turno em SP e Mercadante toma lavada.

A Marta Suplicy, vagaba que ainda usa o nome do ex para conseguir votos, vai entrar fácil, mas fará mais merdas do que quando era prefeita. Netinho vai sair apertado com Aluízio Nunes.

Erundina leva. Marco Brasil vai continuar nos rodeios, porque não vai levar.
Camarinha pai não leva, mas continua no poder porque o Camarinha filho conseguirá como estadual.

Nechar não deve levar.

José Ursílio não vai levar. Vai dar chilique no Diário de Marília falando como o povo vai perder com a não entrada do PSDB – irônico máster.

A Globo vai dar piti. Assim como a Fossa de SP e o Estadão.
Já a VEJA!. Bem ,a VEJA será a mesma porcaria de sempre, que não servirá nem para limpar a bunda.

sábado, 2 de outubro de 2010

Outros Planos

- Onde eu fui parar? Me mandaram cobrir a guerra no Afeganistão?

(Um homem, com o rosto cheio de feridas, se aproxima)

- Tá falando comigo?

- Pode ser com você. Dá pra me dizer onde estou?

- Aqui é o umbral.

- Umbral?

Você tá morto, meu amigo! Não se ligou ainda?

- Morto?

- Morto e todo lascado. Aqui no umbral o bicho pega. Não viu o filme, não?

- Que filme?

- Nosso Lar.

- Ah, o dos espíritos? Putz, eu até queria assistir, mas fiquei esperando a cortesia da assessoria de imprensa. Mais fácil morrer do que conseguir um ingresso.

- O umbral só tem gente ferrada, barra-pesada. Suicida, político, advogado. Você é o quê?

- Sou jornalista. Repórter e crítico de TV. Ou melhor, eu era. Sei lá.

- Vixe, jornalista tá cheio aqui.

(Silêncio. Os dois sentam-se lado a lado)

- Mas por que o bicho pega?

- Maior dificuldade pra tudo: pra comer, pra dormir. Você nunca consegue ver sua família. Leva porrada da chefia o dia inteiro.

- Porra, com isso eu já tô acostumado. Vai trabalhar numa redação de hard news pra ver o que é bom! Lascado eu tava quando era vivo.

- Cê tá falando sério?

- Claro que eu tô. Esse umbral tá parecendo até bem tranqüilo.

(Silêncio longo)

- E você, o que fazia quando era vivo?

- Eu era ex-participante de reality show. Do Big Brother.

(O jornalista gargalha)

- Caraca, e você tava falando mal de jornalista.

- Peraí, eu não falei mal de jornalista. Só falei que tava cheio de jornalista aqui.

- Sei.

- E você, crítico de TV, nem me reconheceu, hein?

- Já viu quanta ferida tem aí na sua cara? Sem ferida, já seria difícil reconhecer.

- Sei.

(Mais um longo silêncio)

- Ô, ex-BBB, já que você manja tudo de umbral, me diz uma coisa: onde fica o boteco aqui? Tô começando a ficar com fome e sede.

- Boteco? Aqui não tem isso, não!

- Não brinca! Nem um vernissage, uma boquinha-livre?

- Que nada.

- Porra, aí complica.

(O jornalista abaixa a cabeça. Depois, a balança negativamente)

- Tô começando a achar que Afeganistão não seria tão ruim, viu?

- Oi?
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Esse texto foi tirado do maravilhoso blog Desilusões Perdidas que fala do dia a dia de um jornalista. Ótima leitura

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Garoas, neblinas

A chuva não ta dando trégua aqui em Marília.
Chove demais, hoje me atrapalhou todo para vir ao trabalho. Mas enfim, chuva tem em todo lugar.

Esses dias, se não me engano na terça-feira, estava voltando pra casa quando não consegui ver nem 50 metros a minha frente. Uma neblina linda que a cidade tem. Fiz um vídeo pelo meu cel, mas tenho uma preguiça de passar pro computador.

Nessa volta, encontrei o Fernando, brother da faculdade. Ele tava de bike, falamos meia dúzia de palavras e ele foi embora. Quando ele estava indo, olhei para trás e vi a imagem dele sumindo naquela neblina. Acho tão bacana isso, foi meio filme de terror, mas bem legal.

Coisas que acho legal e que muita gente não presta a atenção é isso. Aqui, acho a neblina linda. Em São Paulo, a garoa é maravilhosa. Nenhum lugar a garoa é tão bonita quanto SP. Como no Rio de Janeiro. As armas são fantásticas, cromadas e tudo mais. Hehehe!

Gente, logo menos volto. Sabe como é, final de semana de eleições terei bastante trabalho pela frente.

Acessem o site do meu trabalho. Por enquanto ta feinho, mas logo menos ficara bonitão
www.matra.org.br

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