sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Censura na Mídia 2

Outro grande problema na censura da mídia é quando ela mesmo faz isso.

Primeiro de forma mentirosa, depois de forma comercial.
Vamos ver

O exemplo da forma mentirosa é o jornal O Estado de São Paulo.

Se abrir o site do jornal, ele mostra acima de todas as matérias um destaque em preto com os dizeres "Estadão, 561 dias sob censura". O que é uma grande mentira.

O Estadão foi proibido de publicar matérias sobre uma operação investigada da Polícia Federal contra a família Sarney. Ok, essa família deveria ter o destino dos Kennedys, mas a questão não é essa.

O jornal foi proibido pela própria Polícia Federal por ser um processo que corre sob sigilo. Isso, todos os jornais fazem. Recebem informações sobre operações da PF, mas a mesma pede para que não faça divulgação. E o que o jornal fez? Divulgou.

Agora, faz essa coisa de estar sob censura e tudo mais. Ou seja, o jornal fez uma autocensura e fica pagando de coitadinho...lamentável.

A outra parte é o apelo comercial. E eu passei por isso já...

Em um dos jornais que trabalhei, tive que omitir muita coisa em matéria minha por conta de interesses políticos. Exemplo.

Ano passado, o Estado de São Paulo teve uma das maiores greves de professores. Cerca de 85% dos professores aderiram a greve. Quando falei no jornal para fazer a cobertura da greve, um responsável do mesmo me falou a seguinte frase:

"A próxima vez que você der ideia de matéria que vai contra o governo estadual, você será demitido por justa causa. E afirmo uma coisa, e essa matéria é você quem vai fazer. Não existe greve, isso é invenção por conta de ano eleitoral, o ensino é bom, tem aula nas escolas e os professores são ótimamente remunerados".

Depois de levar uma dessa na orelha, cheguei ao meu editor e comentei, falando sério.

"Desculpe-me, mas eu posso não escrever coisas que eu quero, mas nunca irei escrever o que eu não quero"

Ele me apoiou, mas disse que o lance político era muito forte, e que eu deveria prestar mais atenção nas reuniões de pauta.

Claro, isso é uma grande verdade, deveria prestar mais atenção onde estava pisando, mas minha ideia de jornal é outra.

O jornal serve para servir. Já que escolas estavam sem aula, alunos estavam sendo prejudicados, mães não tinham onde deixar filhos mais novos pela falta de aula. O jornal presta um serviço para a população. Ou pelo menos deveria prestar.

Eu acredito, e agora falo com opinião mesmo, que o jornalismo sério se perdeu com o tempo. Hoje nada mais é que um jogo político de interesses. Ou alguém ainda acredita que um dia ,Veja, Estadão, Folha, Globo vão concordar que o último presidente foi um dos melhores líderes que esse país já teve?

Antes que alguém fale nervoso nos comentários, tente lembrar que eu venho de escola pública, que alunos batiam em professores, cheiravam cocaina na sala de aula e ocorria, com frequencia, relações sexuais dentro da escola. E se não fosse pelo Pró Uni, hoje seria um mero operador de telemarketing!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Quem sabe poderia ser PRESIDENTE...


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