quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Denúncia pública ao Sr Delegado de Polícia de Foz do Iguaçu

Venho através desse blog, de teor público e assinado pelo autor, Pedro Vinicius Ferraz, denunciar o escrivão da 6ª DP de Foz do Iguaçu.

Na última sexta-feira, dia nove de dezembro, fui acompanhar uma pessoa próxima, que preservarei o nome, que havia sido detido por conta da Lei Maria da Penha. Não sou juiz para debater se a aplicação da lei era correta ou incorreta, mas a ação do escrivão que estava de plantão no dia eu posso contestar.

Ao entrar na DP, fui encaminhado para a cela onde o mesmo estava, entreguei-lhe um lanche (o que por lei é permitido) e um refrigerante em lata, algo que o escrivão nunca poderia deixar entrar pois pode virar uma arma o alumínio da lata.

Dentro da cela, usei meu celular, entreguei meu celular para terceiro usar, tudo co o consentimento do escrivão que no dia era escalado. Segundo um dos detidos, não haveria problema em utilizar o celular pois o escrivão era “camarada”.

O escrivão me avisou da fiança. Inicialmente, entendi errado o valor de R$1.500(um mil e quinhentos reais), e eu fui fazer uma “vaquinha” com os amigos para pagar a tal fiança. O escrivão do dia me alertou que o delegado iria voltar rapidamente para a DP e, caso ele assinasse o final de seu expediente, só na segunda-feira, 12 de dezembro, seria possível resolver a situação.

Conseguindo o dinheiro, me encaminhei novamente até a 6ªDP. Estava com um advogado e, ao chegar, fomos levados diretamente à sala do escrivão. Na mesma sala, perguntei o valor. Fui informado que era de R$1.090 (um mil e noventa reais). Como estávamos com o valor de R$1.500, abrimos o maço de dinheiro para assim pagar a fiança.

Quando chegamos ao valor de R$1.100 (um mil e cem reais), ele avisou que não haveria troco. Normal, uma delegacia de polícia não tem um caixa. Mas ao ver que o maço de dinheiro havia mais notas, ele solicitou “uma caixinha para o final de ano”.

No mesmo instante, perguntei o nome do escrivão. Na mesma hora, ele me respondeu “nego até a morte o que você tentar falar”. Claro que vai negar, afinal não tenho provas materiais, não estava grampeado e nem havia uma micro câmera comigo. Mas com essa resposta do escrivão, ele tinha ciência de que seu ato era algo ilegal.

Informado seu nome, procurei conversar para tirar mais alguma informação do mesmo. Falei que era contra o sistema que o governo tratava a segurança pública, como salários, suporte aos delegados,investigadores e os demais envolvidos. Falei da estrutura precária que muitos têm para trabalhar. Citei que era contra, principalmente, o governo PSDB. No mesmo instante, ele falou que isso era relativo, pois o mesmo havia sido do PSDB e do PMDB.

Fui embora revoltado, comentando isso com meu amigo. Ele me falou que é algo que precisaria tomar cuidado caso venha a fazer a denúncia, pois estamos em uma cidade de fronteira e eu não conheço como funcionam as coisas por aqui.

Após postar em meu blog pessoa(quartopodersp.blogspot.com), recebi a informação que o mesmo escrivão estava querendo saber onde resido. Sou morador da capital paulista, e meu pai quem mora aqui na cidade. Vim para a cidade apenas passar uns dias com ele.

Consegui um trabalho para não voltar com as mãos vazias, porém agora terei de dispensá-lo pois com a informação que eu posso ser retaliado, seja na forma legal ou ilegal, me deixou preocupado.

Preocupou-me por dois motivos. O primeiro é sofrer algum tipo de violência física. Não me importo de ser censurado no blog, retirar parte do conteúdo ou por completo. Sou do movimento de blogueiros do Brasil, e isso ocorre com frequência. Minha segunda preocupação é que não conheço ninguém na cidade, tenho poucos contatos e se algo acontece comigo, dificilmente alguém irá saber a tempo.

Denunciei uma ação ilegal de um escrivão e acabei perdendo trabalho por conta disso. Volto agora para São Paulo, porém com a certeza que fiz a coisa certa. Luto pela liberdade de informação, imprensa, contra o sistema que manipula a grande mídia e claro, isso envolve luta contra a corrupção.

Espero que esse senhor seja investigado, e estou à disposição para depor e cooperar para que elementos como esse não suje mais a imagem da Polícia Civil, que sempre fez um ótimo trabalho, mas que ainda tem algumas maças podres.

Pedro Vinicius Ferraz
Jornalista, blogueiro e ativista social.

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