segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PSDB ou assessor do SBT: o escândalo do Vivaleite

Por Renato Rovai

Imaginem quantos minutos o Jornal Nacional dedicaria ao tema para uma reportagem apontando que o PT havia vinculado filiações ao Bolsa Família. Ou imagine quantos discursos o tema renderia ao sempre atento senador Álvaro Dias, o único veemente opositor que como não tinha que disputar a reeleição em 2010 conseguiu continuar no Senado. Outros, como Mão Santa, Heráclito Fortes e Arthur Virgilio, não tiveram a mesma sorte. Também imagine se isso não seria a pedra de toque dos comentários de zelosos colunistas da moral pública que atuam em veículos tradicionais.  Mas nada disso vai acontecer. A reportagem-denúncia de ontem no Estadão, já virou pó no noticiário de hoje.

E olha que a reportagem tem elementos bastante constrangedores, como o de uma senhora quase cega que cotejada com a pergunta se era filiada ao PSDB, respondeu: assessora do SBT?

Leia este trecho:

A senhora é filiada ao partido?
Não entendo o que é.

A senhora é filiada ao PSDB?
Auxiliar do SBT?

É militante do PSDB, do partido?
Não sou…

O nome da senhora consta de uma lista de filiados. A senhora nunca preencheu documentos para se inscrever em um partido político?
Não, nunca preenchi nenhum documento. Inclusive tenho deficiência visual. Sou especial pelo problema meu, não dá para eu ler nada. Perdi a visão total num olho num acidente e tenho apenas 20% em outro.

Alguém lhe pediu o título de eleitor?
Uma vez me pediram, mas não lembro pra que era.

A senhora está em algum cadastro do governo?
Eu tenho o Bolsa Família. E também recebo o leite para o meu neto.

A assimetria da mídia na cobertura política quando trata de “mal feitos” do PSDB e de partidos como o PT, PCdoB, PDT ou PSB é algo que beira o ridículo. Não dar mole para os partidos de centro-esquerda não é um problema. A questão é tratar os erros dos partidos de centro-direita com tanta tolerância.

Renato Rovai é editor da Revista Fórum

Fórum Social Temático termina em Porto Alegre com propostas alternativas à Rio+20

Por: Luana Lourenço e Paula Laboissière

 De olho na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho, no Rio de Janeiro, o Fórum Social Temático (FST) termina neste domingo (29), em Porto Alegre, com uma agenda de propostas alternativas à negociação formal que será conduzida pelos governos na conferência.

Com o tema Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental, o FST foi a primeira etapa da Cúpula dos Povos, reunião que deverá acontecer paralelamente à Rio+20, como contraponto às negociações formais, em um espaço de manifestação da sociedade civil organizada.

A principal crítica levantada durante os debates do FST foi, justamente, em relação ao conceito de economia verde, tema central da conferência. As organizações argumentam que o modelo vai apenas repetir a lógica do capitalismo, com a “mercantilização da natureza” e a manutenção das desigualdades. O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, chegou a dizer que a Rio+20 será apenas “um teatro governamental”.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que aproveitou o FST para tentar articular as posições do governo com as da sociedade civil para a Rio+20, rebateu as críticas e disse que confia na força da sociedade civil brasileira e mundial para que o evento no Rio tenha êxito.

A Rio+20 também foi lembrada no discurso da presidenta Dilma Rousseff, que esteve no FST na quinta-feira (26) para um diálogo com representantes da sociedade civil. Dilma defendeu a criação de metas de desenvolvimento sustentável na conferência e articulação direta entre medidas ambientais e de combate à pobreza.

Apesar de bem-recebida pelos movimentos sociais na primeira participação dela em um evento do Fórum Social Mundial como chefe de Estado, Dilma não escapou das críticas. Ativistas cobraram propostas alternativas à economia verde e de mais diálogo da presidenta com os movimentos sociais.

As questões ambientais e a Rio+20 dividiram espaço com debates de temas tradicionais do Fórum Social Mundial, como a crítica ao neoliberalismo, a defesa de causas sindicais e o fortalecimento da educação. O direito à memória foi tema de um dos eventos mais concorridos da semana, em que o sociólogo e jornalista Ignacio Ramonet defendeu a instalação de comissões da verdade e o direito coletivo de acesso a memórias de ditaduras para que as violações de direitos humanos nesse períodos não sejam esquecidos nem repetidos.

No Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo (28), o tema também virou assunto no FST, com um evento que lembrou os oito anos do assassinato de três fiscais do trabalho, no episódio conhecido como Chacina de Unaí. Procuradores cobraram respostas do Poder Judiciário, que ainda não levou a julgamento os nove indiciados pelos crimes, entre eles, o prefeito da cidade mineira de Unaí, Antério Mânica, e o irmão dele, Norberto Mãnica, acusados de serem os mandantes.

A ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 438/2001, conhecida como PEC do Trabalho Escravo, será a prioridade legislativa da secretaria este ano.

Além do FST, em Porto Alegre, mais 25 eventos devem compor a agenda do Fórum Social Mundial em 2012, entre eles o Fórum Social Palestina Livre, marcado para o fim de novembro, também na capital gaúcha.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Gaviões da Fiel solta nota contra idiotas que escrevem na Época

Nota oficial

Nós, dos Gaviões da Fiel, repudiamos o conteúdo da matéria publicada pela revista Época, em 21/01/12, em sua edição de nº 714, cujo título é “Cadê a Ala dos Mensaleiros”,e fazemos a questão de apresentar os fatos da forma mais clara e verdadeira possível.

Em meados de novembro, fomos procurados pela “repórter” Mariana Sanches, que nos solicitou uma visita sob a alegação de estar escrevendo uma matéria a respeito do Carnaval 2012. Prontamente recebemos a repórter, que alegava ser essa sua principal e grande matéria e que queria explorar ao máximo para conseguir um destaque com a mesma.

Em função disso e por respeito à profissional, abrimos as portas de nossa quadra e permitimos que algumas imagens fossem feitas em nosso barracão, concedemos entrevista exclusiva com nosso Carnavalesco e com nosso Presidente e nos colocamos a disposição para ajudá-la na conclusão da matéria desde que a mesma nos fosse apresentada antes da publicação.

Porém, infelizmente, usando da má fé característica dos maus profissionais, percebemos ao longo do caminho que a jornalista Mariana Sanches passou a dar um tom tendencioso e de especulação à matéria por meio de contatos – que não sabemos como obteve – com diversas pessoas ligadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sob a alegação de estar escrevendo uma matéria a respeito do desfile dos Gaviões.

No entanto, ao ter acesso ao conteúdo final da matéria, constatamos tratar-se mais uma vez de uma agressão gratuita e infundada ao nosso homenageado e, consequentemente, ao processo de construção do carnaval da nossa entidade, que escolheu o enredo sem levantar nenhuma bandeira política ou partidária. O maior objetivo da escolha do tema é a homenagem ao povo brasileiro e aos Corinthianos, através da figura emblemática do ex-presidente Lula, assim como consta na explicação do nosso enredo. Mas não nos surpreende que tal veículo insista em tentar descontextualizar os fatos e criticar o Lula.

A nós, tal episódio só fortalece para que levemos à avenida em destaque estes e outros motivos que fazem com que nosso homenageado tenha sido escolhido como o retrato da nossa NAÇÃO e isso independe da vontade de qualquer veículo de comunicação que queira descontextualizar a homenagem que levaremos à avenida neste carnaval.

Diretoria Gaviões da Fiel

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Globo aposta em Alckmin e "esquece" Aécio e Serra

Helena Sthephanowitz, Rede Brasil Atual
   

A semana não foi nada boa para o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), marcada por duas desastradas ações policiais, com ampla desaprovação popular – a continuação da ocupação policial da cracolândia e a agressão de um estudante negro da USP –, sem falar do desabamento de um laje de uma obra da secretaria estadual de cultura, em que um operário morreu.

Mas no Jornal Nacional, da TV Globo, o tucano tem sido mostrado como se nada tivesse a ver com os problemas, pelo contrário, fosse o herói pronto para resolvê-los. O governador liberou a Polícia Militar para ocupar a USP (Universidade de São Paulo), inclusive com repressão. Quando a coisa desandou para a agressão ao estudante, o Jornal Nacional noticiou, com atraso de um dia, o que deu tempo de editar uma matéria ao gosto do Palácio dos Bandeirantes.  Alckmin foi mostrado dando declarações dignas de "justiceiro", dizendo que puniria os erros e não toleraria abusos.

No caso da cracolândia, o noticiário do Jornal Nacional foi tendenciosamente favorável à ação, colhendo só depoimentos favoráveis. O tratamento "vip" dispensado ao governador tucano paulista mostra que Alckmin é a atual aposta da TV Globo para "salvador da pátria" contra Dilma, Lula e o PT.

José Serra (PSDB-SP) é tratado pela  imprensa como carta fora do baralho. Desde seu "até breve" no dia da derrota na eleição presidencial de 2010, ele não dá as caras no Jornal Nacional. Aécio Neves (PSDB/MG), de promessa, virou decepção, e também está descartado. Não tem a língua afiada de um Carlos Lacerda. Seu suposto carisma não ultrapassa as fronteiras de Minas. O "conciliador" virou desagregador com o fato do livro "A Privataria Tucana" ter raízes no jornal Estado de Minas. O suposto "hábil articulador", em um ano de liderança da oposição, fez o DEM, PSDB e PPS minguarem, deixando a oposição mais frágil do que nunca esteve antes.

Cronologia de um telejornal "alckmista"

3 de janeiro –  o Jornal Nacional dedicou dois minutos para ocupação policial da cracolândia paulistana. Só deu voz ao comandante da operação e a supostos populares que aprovaram a ação. Tratou a ação policial como se estivesse em curso o restabelecimento da ordem e solução do problema. Veja aqui.

6 de janeiro – o que foi noticiado como solução virou problema. O JN dedidou 2m17s em socorro ao governador, no estilo laudo bolinha-de-papel. Arranjou uma pesquisa dizendo que 47% dos frequentadores da cracolândia aceitariam algum tratamento, se fosse oferecido. Também empurrou o problema apenas para a prefeitura de Kassab, poupando o governador. Veja aqui

7 de janeiro – JN finge de morto. Nenhuma notícia sobre a cracolândia. O jornal O Estado de S.Paulo havia noticiado pela manhã que Alckmin, Kassab e cúpula da PM não sabiam de ação na cracolândia.

10 de janeiro – o JN dedicou apenas 32 segundos lacônicos, com a câmara fixa no locutor lendo a notícia, sem nenhuma imagem, para dizer que "o Ministério Público de São Paulo vai instaurar um inquérito civil para apurar a ação da PM e da prefeitura na Cracolândia". Nenhuma palavra, e muito menos imagens da guerra campal acontecida no final da noite anterior, com a PM abrindo fogo com balas de borracha e bombas de gás lacrimogênico contra usuários.

11 de janeiro – o JN voltou a retratar a figura do "governador bom e justo", ao dizer que o governo proibiu a PM de usar bombas e balas de borracha. A matéria teve 1m55s. Mostrou queixas de comerciantes e moradores para onde migraram os "nóias". Engatou tendas de assistência social da prefeitura de Kassab. A voz crítica do promotor Eduardo Valério que abriu inquérito contra a ocupação desastrada só mereceu 11 segundos, e foi seguida dos 19 segundos da palavra final da Secretária de Justiça de Alckmin. (http://goo.gl/8lIma)

Episódio 2: Truculência e racismo

9 de janeiro – o Jornal da Record levou ao ar cenas de um Policial Militar paulista agredindo gratuitamente um estudante negro dentro da USP.

10 de janeiro – O Jornal Nacional esperou até a noite do dia seguinte para levar a notícia ao ar. Tempo suficiente para editar uma matéria ao gosto do Palácio dos Bandeirantes. A notícia abriu com o afastamento das ruas dos dois policiais envolvidos no episódio. Depois narrou os fatos corretamente, inclusive o problema racial, criou o enredo entre os "bons" e os "maus", para então "atucanar" a matéria. Ao aparecer o governador, em vez de perguntar se a Polícia deveria estar ali envolvida na remoção forçada de um diretório acadêmico, o governador entrou já dizendo, de forma genérica, que puniria os erros e não toleraria abusos.

Globo Burra


Se a Globo contrata profissionais burros para escrever, quem acredita na Globo é o que?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A PM paulista sabe lidar com seres humanos?

 O Esquerdopata 


Parecia piada pronta. Estudante, negro, espancado por um policial militar dentro da USP? Tudo isso em vídeo?

Ou é piada ou é boato.

Nem o mais troglodita dos carrascos seria capaz de assinar o recibo desta maneira.

Policial pode até ser rígido, mas não é burro.

“Querem fumar maconha sem ser incomodados”.

Do governador ao quatrocentão que nunca pisou na USP, todos estavam crentes de que, com a PM no campus, a segurança e a civilidade estariam instauradas de vez.

O resto era conversa, papo de intelectual.

Todo mundo sabe que polícia não agride, polícia protege.

Os argumentos em torno da ordem e da legalidade estavam tão consolidados que soaria como escárnio voltar à discussão a essa altura do campeonato: a PM sabe lidar com estudantes?

A resposta durou 1 minuto e 39 segundos, e é mais representativa que todos os calhamaços já publicados sobre o assunto. E levou a discussão para outro patamar: a polícia paulista sabe lidar com seres humanos?

Em 1 minuto e 39 segundos a resposta se torna evidente: no vídeo (clique aqui para ver), um sargento, identificado como André Ferreira, avisa, educadamente, que o prédio sem uso há anos, ocupado pelos estudantes, precisa ser liberado. Os estudantes se negam a deixar o prédio. E questionam os motivos da ação (ao que parece, não está proibido ainda, num espaço estudantil, questionar determinada situação, ainda que o interlocutor seja um policial, um padre ou um professor).

A conversa é tensa, mas tudo parece estar sob controle. “Não gosto de você, e você não gosta de mim”. Ao que consta, num ambiente universitário, ninguém é obrigado a gostar de ninguém.

Até que um negro, o estudante de Ciências da Natureza Nicolas Barreto, entrou na conversa, da qual não foi chamado – como não foi chamado para aquela universidade, se dependesse de quem a financia.

E se tornou, naquele instante, a expressão mais exata da violência e do preconceito que a inteligência brasileira supunha enterrados.

O peso da mão policial é exatamente o peso de anos, séculos de rejeição ao acesso de negros a antigos círculos restritos. Como a universidade.

“Negro numa universidade? Não pode ser aluno. Se for, é baderneiro. Se apanhou, é bem feito. Se não amanhã qualquer herdeiro da escravidão vai começar a dizer ao Estado o que deve ser feito”.

A reação policial, nesse contexto, é quase profilática.

Porque o sargento escalado para a agir naquele espaço é o Estado presente, o detentor do monopólio da violência autorizado a agir com os estudantes exatamente como age com o cidadão comum. E hoje a polícia militar, acusada tantas vezes de truculência, mostrou às câmeras o que sabe fazer de melhor, o que faz há anos nas casas, nas favelas, nas ruas – com ou sem mandado, com ou sem força excessiva.

O vídeo mostrou que o baderneiro, na verdade, vestia farda, e não chilenos. E perdia a razão, agindo como marginal. Mudou de lado?

Horas depois, foi anunciado o seu afastamento do meliante (ops, policial), junto com um comparsa (ops, colega). Mas a questão está em aberto. Só mudou de patamar. Vale insistir “A PM paulista sabe lidar com seres humanos?”

Parte das respostas pode estar incrustrada sob o velho argumento: foi caso isolado.

Não foi. A agressão ao estudante da USP, assim como as agressões diárias sofridas por quem não tem sequer carteira de estudante para se defender de bordoadas, é a crônica de uma guerra anunciada. A fórmula? Basta colocar policiais armados querendo mostrar serviço numa área pacificada.

O sargento Ferreira tinha autorização para cumprir sua função. É em agentes públicos como o sargento Ferreira (o mesmo sargento que estranha ao ver um negro se apresentar como estudante) que o governo do estado dá a incumbência de levar segurança e civilidade para as ruas e, agora, para o campus.  Ele era o braço autorizado do estado para atuar naquele instante. Para isso foi treinado e orientado. E algo que militar sabe fazer é cumprir ordem e obedecer.

A manifestação gratuita, e gravada, de truculência e a covardia é um direito outorgado ao sargento Ferreira ao longo de mais de 181 anos de corporação que hoje envergonha seu próprio estado.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Debate com o autor do Livro "A Privataria Tucana" em Curitiba


Para quem acredita no PSDB, Rede Globo, Folha de São Paulo, O Globo, CBN, Estadão e demais, vale a pena fazer um esforço para ver o quanto essa mídia opta em proteger as canalhices dessa imensa quadrilha.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Jornais afogados em números

Por Luciano Martins Costa

Faz alguns anos que o nordeste brasileiro não aparece no noticiário da imprensa nacional em histórias trágicas sobre seca, migrações, flagelados. Ao contrário, aqueles estados têm apresentado os mais elevados índices de crescimento econômico entre as regiões do país e começam a atrair de volta nordestinos que se mudaram para outros estados e até mesmo trabalhadores especializados do sul e sudeste.

Parte desse milagre é atribuída aos projetos sociais de transferência direta de renda, como foi demonstrado em alguns seminários técnicos sobre o assunto realizados em São Paulo nos últimos anos. Mas no caso das secas, na verdade o que ocorre periodicamente é o atraso no ciclo das chuvas, causando a perda de lavouras.

A construção de açudes e abertura de poços, aceleradas nos últimos anos, ajudarama reduzir o problema climático, enquanto os programas sociais consolidam o combate à pobreza. Mas os açudes também ajudam a conter outro problema ambiental, o das inundações, que com frequência é erradamente chamado de desastre natural.

Tanto no nordeste quanto no sul do país, secas e inundações são fenômenos climáticos produzidos ou agravados pela destruição das matas e a intervenção humana nos cursos dos rios. Para prevenir esses desastres, foi criado o Programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, que susbsitui neste ano o antigo Programa de Prevenção e Preparação para Desastres, agregando as ações desse tipo que são atribuições de seis ministérios: Defesa, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Minas e Energia, Cidades e Integração Nacional.

As verbas para ações mais típicas de prevenção contra enchentes, como as obras de contenção de encostas e macrodrenagem, estão concentradas no Ministério das Cidades, que tem assegurados R$ 11 bilhões para o período de 2011 a 2015.

No último dia 3/1, terça-feira, o jornal O Estado de S.Paulo incluiu na lista de desastres a própria gestão das verbas do programa preventivo: segundo o jornal paulista, o ministro da Integração Nacional, o pernambucano Fernando Bezerra Coelho (PSB), destinou ao seu próprio estado nada menos do que 90% dos recursos para a contenção de enchentes em 2011. Os demais jornais de circulação nacional entram na história nesta quinta, dia 5, acrescentando que, em 2012, de novo, a verba contra enchente privilegia Pernambuco.

Verbas desviadas

O noticiário, principalmente o do Globo, tem um tom claramente bairrista – ou regionalista – ao comparar as verbas destinadas a Pernambuco com o dinheiro do Ministério da Integração Nacional enviado para Nova Iguaçu, no Estado do Rio. São diferenças astronômicas, de muitos milhões para prevenir enchentes em Pernambuco e alguns milhares de reais para Nova Iguaçu.

Mas o noticiário omite certos detalhes que, se não isentam o ministro Bezerra de ter agido de maneira a privilegiar a região onde tem sua base eleitoral, oferecem outra visão para a aplicação dos recursos.

Por exemplo, ao informar que Pernambuco vai receber em 2012 11,6% do total da verba geral para obras de prevenção, o tom da reportagem é de denúncia, quando na verdade aquele estado fica em terceiro lugar entre as unidades da federação que serão beneficiadas.

Considerando que a distribuição é feita segundo o grau de risco de cada região, não se deve estranhar que Pernambuco fique em terceiro entre as prioridades, atrás de São Paulo e Rio, uma vez que Santa Catarina, outro dos estados onde têm ocorrido enchentes trágicas, vem recebendo verbas e realizando obras há mais tempo.

Além disso, é preciso considerar que a liberação de recursos está condicionada à apresentação de projetos e não é apenas ironia o fato de Pernambuco ter apresentado mais projetos.

Os números indicam que Fernando Bezerra privilegiou realmente seu estado, e os dados da execução orçamentária confirmam que, da verba sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, 21,9% foram destinados a Pernambuco em 2011.

Mas o noticiário tenta transferir para todo o programa de prevenção o caso isolado de Bezerra, que provavelmente agiu diretamente para acelerar os projetos em sua região.

Para se ter uma idéia do total aplicado nas ações de combate às enchentes, a imprensa deveria contabilizar todos os recursos destinados ao programa, em cada ministério, e cotizar sua aplicação com os projetos apresentados pelos estados. Além disso, é preciso dar conta de outros desvios, como os casos de verbas retiradas do programa de combate a desastres naturais e aplicadas em outras finalidades.

As enchentes estão aí mais uma vez, em muitos municípios as obras preventivas nem começaram e os jornais, empenhados em derrubar o ministro, deixam de informar o leitor sobre o que realmente vem acontecendo, como alguns sinais de corrupção e uso indevido das verbas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O preconceito no Brasil é de berço

Ontem, no MSN, minha mãe fez um pedido inusitado. Digo isso porque ela nunca me pediu para escrever nada, sempre acompanhou meu blog e fez seus comentários no particular. Pediu para eu fazer um texto sobre preconceito. Engraçado, pois foi no mesmo dia que houve o bum daquele caso no restaurante em Pinheiros, em São Paulo, de um menino que foi tirado de lá por ser negro.

Bom, preconceito existe desde sempre. E não apenas o racial. Crescemos com valores preconceituosos, e quando crescemos, ou mudamos nossa atitude ou estamos condenados a viver sob a sombra desse lixo comportamental.

Sofri muito preconceito em minha vida. Sim, sou loiro e branquelo e sofri preconceito de monte. Quando eu tinha 10 anos, fui estudar na escola Buenos Aires, na Zona Norte de SP. Lá, a maioria dos alunos eram negros que moravam na favela da Zarch Narchi, ao lado do shopping Center Norte. Fiz grandes amigos por lá, mas eu era agredido todos os dias.

Mais velho, deixei meu cabelo crescer até a cintura. Fui vitima de preconceito e chacotas, sempre tendenciado para o homossexualismo. Não que eu ligasse, afinal sempre fui muito seguro de minha sexualidade, tenho amigos gays desde muito jovem e isso nunca foi problema pra mim. Mas o preconceito existia.

Por gostar de rock n roll, o preconceito que estigmatizaram em mim era de maconheiro satãnista. Isso, posso dizer,até de pessoas próximas. Por usar unhas compridas para tocar violão(quem toca de palheta é guitarrista) era motivo de chacota também. Nunca liguei, sempre soube o que eu era e não seria a opinião alheia que iria mudar. Mas tem horas que ofende, mesmo implícito.

Voltando à minha mãe...

Ela pediu um texto porque foi mandada embora da empresa, juntamente com outras pessoas por “corte de gastos”. Incrivelmente, e não é coincidência, todos os demitidos tinham mais de 50 anos. E isso não é apenas na realidade de minha mãe, que ganhava pouco mais de R$700 mensal.

Em todas as áreas,o preconceito para com pessoas de mais idade é claro. Não querem pessoas mais velhas pois, por serem mais experientes, podem debater e criar alguns conflitos na empresa. Além disso, são eles quem têm moral suficiente para pedir um salário, e não aceitar o que oferecem, como é o meu caso(ainda).

No blog do ator Bemvindo Siqueira, da Tv Record(eu prefiro falar do ator teatral,mas a referência é pelo portal do blog) ele escreveu sobre o racismo na era do circo. (CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO)

O preconceito existe. Mas o preconceituoso nunca admite suas atitudes. Confundem o preconceito com racismo, que é apenas uma forma de preconceito.  Uma ex-esposa de meu pai é extremamente 
preconceituosa com os árabes, que vivem em Foz do Iguaçu. Mas isso não é culpa dela, acredito eu, pois a cidade tem essa cultura. Claro que as pessoas devem evoluir e batalhar para isso, mas quando é algo que vem de berço, complica um pouco.

Quando falamos em preconceito, já vem logo na cabeça o racismo do branco contra o negro. Mas o contrário existe também. E eu já passei por isso.

Certa vez, fui ver um show do grupo de rap Racionais MC´s. Eu era cabeludo e,  pelo visto, um dos poucos de cabelo claro nesse show. No início do show, após a primeira música, Mano Brown (que tenho grande admiração) falou ao microfone “Nosso som não é papagaiada, não é pra branquinho,loirinho, mauricinho escutar no carro da mamãe,aqui é realidade de periferia”.

Nesse exato momento, comecei a levar tapas na cabeça, empurrões, até o ponto que resolvi ir embora do show. Claro que Mano Brow não estava querendo insultar e instigar a violência. Ele fazia alusão a elite paulistana, que tem essa característica. Mas e por que eu fui motivo da agressão?

Justamente por ser branco e loiro. Mas nunca fui elite. Quem me conhece sabe que venho de escola pública, já fui até despejado de casa e só me formei devido a uma bolsa estudantil (Viva o Pró Uni). Mas claro, que ali não queriam saber minha história, queria saber de algum ponto de fuga para escancarar a opinião de Mano Brown. Mesmo tendo o preconceito como base de tudo. 

Lógico que existem outros preconceitos. Religiosos, xenofóbicos dentre outros,mas ai o texto ficaria muito longo,e eu tenho que trabalhar...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ano novo, vida …nova?

A virada do ano foi mais depressiva do que gotic metal feito por adolescentes de 13 anos.
Primeiro, deixei de ir a um churrasco achando que iria dar pra fazer algo diferente. Merda, o máximo que fiz foi sair dessa maldita pensão que moro para ver cinco minutos vagabundos de fogos. Quando reclamei que essa cidade é um tédio, levei um ´guarde a sua merda de opinião para você ´... pois é, minha merda de opinião nunca valeu mesmo, e na próxima semana valerá ainda menos, mas isso é outro assunto(vou detalhar absolutamente TUDO sobre a perseguição que venho sofrendo, dando nomes e divulgando os emails que recebi).
Mas realmente,em uma cidade de merda como é Foz do Iguaçu, as pessoas acabam ficando com uma cabeça de merda mesmo, atrofiadas e com ar de superioridade que só essa cidade é capaz de deixar. Portanto, não falo nem meus dias, mas as horas nessa merda de lugar estão contadas.
Nesse ano de 2011, o Quarto Poder viu sua audiência levantar de forma assustadora, ao menos para esse reles blogueiro. Eu tinha em média, 30 leituras por mês. O ano de 2011, consegui bater a marca de 20 mil visualizações das páginas.
Claro, devo isso ao movimento da blogosfera, onde estou aprendendo a cada dia que não adianta apenas reclamar dos meios de informação, devo ser o meio de informação. Fico feliz em ouvir gente chegando a mim e falando ´poxa,Pedro, fiquei sabendo tal coisa pelo seu blog, procurei saber mais, que coisa ruim né´. Ter um blog em que as pessoas confiam na informação é maravilhoso, porém de uma responsabilidade grande demais.
Saber que confiam em que escrevo quer dizer que tenho que tomar um cuidado muito grande para escrever e, como é de praxe, fazer minhas denuncias. Na twitcam que fiz com o Lino Bocchinni, censurado pela Folha de SP(Serra Presidente) eu estava desempregado e ele fez uma pequena propaganda sobre meu trabalho,falando sobre meu jornalismo investigativo.
Claro, ainda tenho muito o que aprender, afinal sou formado faz pouco tempo, fiz cagadas históricas em jornais que trabalhei(valeu por segurar a barra Menon), mas claro, tudo isso tomo como aprendizado. Hoje, sei muito bem de meu trabalho e minha capacidade. Adquiri gosto pelo jornalismo investigativo, e sei que estarei apto para dar continuidade nessa linha ao Quarto Poder.
Em 2011, fui da comissão organizadora do Bloguemus Quae Sera Tamem, o encontro mineiro dos blogueiros. Tive um apoio absurdo de Beto Mafra, Luis Carlos, Michael Rosa, Renato Rovai, Linno Bocchinni , Márcia Brasil, Mariana Andrade, Dayanne Santanna dentre outras pessoas sobre o encaminhar editorial de meu blog.
Claro, eu não tenho tempo de ficar investigando,afinal não é esse meu trabalho. Sou analista de redes sociais, trabalho para dar novas caras as redes sociais de algumas empresas e isso toma bastante meu tempo(redes sociais não se limitam ao Facebook, Twitter, G+ etc..). Ao sair de Foz, quero ver se consigo mais tempo para dar continuidade e, claro, sempre dar minhas opiniões sobre a cena política atual, principalmente nos imbecis que votam no PSDB.
Em 2011 mudei. Mudei, conheci gente, desconheci gente,me surpreendi com algumas pessoas, me decepcionei, vi pessoas próximas com doenças que não queriam admitir, passei aperto, tomei calote, fiquei sem ter o que comer. Mas sempre tive minha dignidade para manter minha cabeça erguida. Nunca precisei ser antiético, nunca precisei fazer algo ílegal´, mesmo sabendo que ilegalidade é relativa. Vi um ente próximo na cela de uma delegacia querendo ter razão nas coisas que faz. Vi um escrivão recebendo propina de um tal advogado(sem OAB,diga-se de passagem), denunciei e só fui apoiado pelo movimento da blogosfera.
Em 2012, quero algo diferente. E isso falo sério, não é meta de ano, mas é algo que quero trabalhar. Primeiro, sair desse túmulo chamado Foz do Iguaçu (Foz vem de fossa, o que dá nas pessoas que não têm a cabeça atrofiada por aqui), aquietar em um canto que não quero citar agora, construir algo. Fixar-me nesse canto para ter algo, uma meta em mente. Construir.
Chega uma hora que o ser humano quer construir, ter um objetivo de vida. Lembro-me do livro Blecaute, do Marcelo Rubens Paiva. Os sobreviventes,sozinhos em Sp e no mundo, faziam tudo para acabar com o tédio,mas nada adiantava. Martina(uma das personagens) queria dar uma meta, de ter filho, construir uma nova sociedade. Mais ou menos assim. Meus objetivos estão caminhando para isso. Claro, não quero construir uma sociedade ou ter filho, mas quero fazer algo diferente, algo que me faça sentir importante e útil. Pois se eu ficar nessa cidade mais dois meses, viro alcoólatra para ter algo a fazer... Eita cidade chata,sô...
Mas quero desejar aqui um ótimo 2012 a todos, que seja um ano com muita luz, que todos os orixás iluminem o caminho dessa sociedade condenada ao fracasso. Que nossas mentes sejam mais abertas, que tudo que é ruim mude radicalmente e que as eleições sejam limpas, mesmo não acreditando nisso quando se tem uma imprensa ao lado do partido político que mais abafou a corrupção. Que 2012 seja diferente, e já farei o convite para comemorar o meu aniversário, que será no fim do mundo,em uma sexta-feira, 21\12\2012.
Viva 2012

Contador Grátis