quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O preconceito no Brasil é de berço

Ontem, no MSN, minha mãe fez um pedido inusitado. Digo isso porque ela nunca me pediu para escrever nada, sempre acompanhou meu blog e fez seus comentários no particular. Pediu para eu fazer um texto sobre preconceito. Engraçado, pois foi no mesmo dia que houve o bum daquele caso no restaurante em Pinheiros, em São Paulo, de um menino que foi tirado de lá por ser negro.

Bom, preconceito existe desde sempre. E não apenas o racial. Crescemos com valores preconceituosos, e quando crescemos, ou mudamos nossa atitude ou estamos condenados a viver sob a sombra desse lixo comportamental.

Sofri muito preconceito em minha vida. Sim, sou loiro e branquelo e sofri preconceito de monte. Quando eu tinha 10 anos, fui estudar na escola Buenos Aires, na Zona Norte de SP. Lá, a maioria dos alunos eram negros que moravam na favela da Zarch Narchi, ao lado do shopping Center Norte. Fiz grandes amigos por lá, mas eu era agredido todos os dias.

Mais velho, deixei meu cabelo crescer até a cintura. Fui vitima de preconceito e chacotas, sempre tendenciado para o homossexualismo. Não que eu ligasse, afinal sempre fui muito seguro de minha sexualidade, tenho amigos gays desde muito jovem e isso nunca foi problema pra mim. Mas o preconceito existia.

Por gostar de rock n roll, o preconceito que estigmatizaram em mim era de maconheiro satãnista. Isso, posso dizer,até de pessoas próximas. Por usar unhas compridas para tocar violão(quem toca de palheta é guitarrista) era motivo de chacota também. Nunca liguei, sempre soube o que eu era e não seria a opinião alheia que iria mudar. Mas tem horas que ofende, mesmo implícito.

Voltando à minha mãe...

Ela pediu um texto porque foi mandada embora da empresa, juntamente com outras pessoas por “corte de gastos”. Incrivelmente, e não é coincidência, todos os demitidos tinham mais de 50 anos. E isso não é apenas na realidade de minha mãe, que ganhava pouco mais de R$700 mensal.

Em todas as áreas,o preconceito para com pessoas de mais idade é claro. Não querem pessoas mais velhas pois, por serem mais experientes, podem debater e criar alguns conflitos na empresa. Além disso, são eles quem têm moral suficiente para pedir um salário, e não aceitar o que oferecem, como é o meu caso(ainda).

No blog do ator Bemvindo Siqueira, da Tv Record(eu prefiro falar do ator teatral,mas a referência é pelo portal do blog) ele escreveu sobre o racismo na era do circo. (CLIQUE AQUI PARA LER O TEXTO)

O preconceito existe. Mas o preconceituoso nunca admite suas atitudes. Confundem o preconceito com racismo, que é apenas uma forma de preconceito.  Uma ex-esposa de meu pai é extremamente 
preconceituosa com os árabes, que vivem em Foz do Iguaçu. Mas isso não é culpa dela, acredito eu, pois a cidade tem essa cultura. Claro que as pessoas devem evoluir e batalhar para isso, mas quando é algo que vem de berço, complica um pouco.

Quando falamos em preconceito, já vem logo na cabeça o racismo do branco contra o negro. Mas o contrário existe também. E eu já passei por isso.

Certa vez, fui ver um show do grupo de rap Racionais MC´s. Eu era cabeludo e,  pelo visto, um dos poucos de cabelo claro nesse show. No início do show, após a primeira música, Mano Brown (que tenho grande admiração) falou ao microfone “Nosso som não é papagaiada, não é pra branquinho,loirinho, mauricinho escutar no carro da mamãe,aqui é realidade de periferia”.

Nesse exato momento, comecei a levar tapas na cabeça, empurrões, até o ponto que resolvi ir embora do show. Claro que Mano Brow não estava querendo insultar e instigar a violência. Ele fazia alusão a elite paulistana, que tem essa característica. Mas e por que eu fui motivo da agressão?

Justamente por ser branco e loiro. Mas nunca fui elite. Quem me conhece sabe que venho de escola pública, já fui até despejado de casa e só me formei devido a uma bolsa estudantil (Viva o Pró Uni). Mas claro, que ali não queriam saber minha história, queria saber de algum ponto de fuga para escancarar a opinião de Mano Brown. Mesmo tendo o preconceito como base de tudo. 

Lógico que existem outros preconceitos. Religiosos, xenofóbicos dentre outros,mas ai o texto ficaria muito longo,e eu tenho que trabalhar...

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