segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O complexo de americano da Veja

Revista de jornalismo duvidoso faz matéria tendenciosa com pitacos de preconceito em defesa dos americanos

Sempre falo sobre como a grande mídia é vendida, como ela tem atitudes de partidos políticos, ao invés de fazer o trabalho de informar realmente, dentre outras coisas.  Bom, vou explicar como é feito isso.

Edição de número 2 254, de 1º de fevereiro de 2012.

Na sua capa, a Veja traz apenas três manchetes. Dentre elas, sobre a prisão de Guantánamo. “VEJA foi à base americana em Cuba ver o julgamento dos terroristas”.  Nessa manchete, já o primeiro erro. Se é um julgamento, pode ter provas que algum acusado não é um terrorista. Vale lembrar que existem provas que alguns que estão nessa prisão foram presos sem ter alguma prova concreta.

Mas vamos correr até a página 82. O titulo é “Guantánamo, a hora da verdade”, e sua linha fina “Começa a fase decisiva dos julgamentos dos chefes do terror islâmico, e o mundo espera que o tribunal militar americano concilie justiça com segurança”.

Nessa linha fina, já começa a intenção do preconceito para com o povo islâmico. A religião islâmica nada tem a ver com a violência. Pelo contrário, condena qualquer forma de violência, mais ainda a morte de outro ser humano. Quem conhece o mínimo dessa religião sabe que ela tem como principio a paz e harmonia entre os filhos do Deus que eles acreditam, Alá.

A revista, apenas em sua linha fina consegue ainda fazer valer aquela “esperança da justiça americana”, que encontramos tanto os filmes de Hollywood fazendo. “..., e o mundo espera que o tribunal militar americano concilie justiça com segurança”.

No segundo parágrafo, a Veja consegue ser mais bizarra ao comparar esses julgamentos ao julgamento de lideres nazistas. Sendo assim, comparar o povo “Islâmico” ao nazismo é uma maneira de colocar a justiça americana como salvadora do mundo. Coloco entre aspas porque não é o povo islâmico, da mesma forma que não é o povo católico ou o povo budista. Isso é uma questão de fé.

O terceiro nos traz a magnífica justiça americana, que encara essa guerra como uma realidade única. A do próprio Estados Unidos. Falam da ampla oportunidade de defesa como qualquer outra corte americana. Ainda afirmam que para um tribunal único, “...mas herdeiro das melhores tradições de justiça”.

A revista ainda gaba-se de estar em um grupo seleto de imprensa que pode acompanhar o julgamento de Al-Nashiri. A própria revista diz que acompanharam uma emissora de radio da Rússia, uma equipe de Tv do Paquistão, três jornais impressos, sendo apenas um americano e dois coreanos, agências de noticias da Arábia Saudita, Inglaterra, Franca e Espanha.

Isso comprova que a Veja trabalha favorecendo o governo estadunidense, pois seria impossível esse governo permitir que uma revista do Brasil entrasse em um julgamento correndo o risco de falarem algo contra as ações americanas. Sendo assim, a revista mostra que tem carta branca do governo, certamente em troca favorecendo as ações no Brasil co reportagens e noticias, sempre falando da magnífica justiça norte americana.

No decorrer da matéria, a revista faz o que tem de mais podre no jornalismo nacional. Distorção e opinião declarada. Lembramos que o jornalismo deve ser imparcial. A parcialidade forma, não informa. Fala sobre presos que foram declarados inocentes, sendo que um deles tinha apenas 14 anos, mas no final ela surpreende falando que a Anistia Internacional exagera na hora de falar da prisão, ...”com o exagero atroz que se tornou regra quando o objetivo é atacar os Estados Unidos, e não descrever uma situação real”, diz a revista.  A revista ainda abre parênteses para falar que a prisão era comparada ao Gulags, da União Soviética.

Ainda no mesmo parágrafo, mais declarações que o terrorismo e a religião islâmica são ligados. No inicio, falam de como a prisão melhorou,com prédios novos, novas acomodações e até os presos que  não se comportam bem podem assistir televisão, declarando até o numero de canais possíveis de assistir”inclusive a Al-Jazira na versão em inglês. Dentro dos benefícios, ela declara que “os presos, acusados de ações terroristas, podem ler o Corão”.

Minha pergunta para a revista é, quando um católico saiu matando muitos na Dinamarca foi chamado de desequilibrado. Se entrarmos em varias prisões no Brasil, veremos muitos evangélicos, mas todos ligados a religião crista. Por que estes são chamados de criminosos e os islâmicos de terroristas? Ligar uma religião a morte, principalmente de inocentes, é distorcer o que de fato a crença prega. É incitar o preconceito contra o povo Árabe (visitem Foz do Iguaçu e vejam quantos islâmicos vivem na cidade, tendo até uma linda mesquita por lá).

No parágrafo seguinte, a revista fala de como os réus em Guantánamo  terão mais direitos a defesa do que os nazistas (novamente a comparação com o nazismo). Explica que os nazistas não tiveram direito de defesa (as atitudes do nazismo têm alguma explicação?), não tiveram advogados e como a liberdade americana vai proporcionar.

A matéria ainda fala sobre como desde 2008 não chega nenhum preso, de como os julgamentos estão ocorrendo para assim a promessa de fechar a prisão, feita pelo então candidato Barack Obama, estah mais próxima do que nunca. E ainda lembrou que Obama tem um prêmio Nobel da paz.

Falou de apenas seis casos de suicídio e de um preso morto no chuveiro, “provavelmente de ataque cardíaco depois de malhar”. Logo depois, mostra como o governo americano é justo, condenando até mesmo os militares suspeitos de torturas e estupros na prisão.

A revista perde a oportunidade de realmente fazer jornalismo. A notícia e si, que o governo americano abriu as portas da prisão para jornalistas acompanharem um julgamento, pouco enche as linhas das suas oito páginas. Sobre o julgamento mesmo, aparecem apenas cinco parágrafos. De resto, apenas como a justiça americana é boa, como os terroristas, sempre ligados a religião islâmica, terão oportunidades de defesa, de advogados e tudo mais. Pouco se fala de direitos humanos, pouco se fala dos presos que não tem acesso aos seus advogados (como um advogado consegue defender um cliente sem ao menos conversar com ele?), não falam de como presos tomam banho de sol com correntes presa ao corpo. A revista apenas mostra o lado americano, o lado que segundo ela transmite, é o justo e a verdade absoluta.

É por isso que devemos sempre lembrar. Veja,não compre, se comprar não leia, se ler não acredite, se acredita,relinche!


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