quarta-feira, 6 de junho de 2012

Enquanto isso na Espanha

Por Encarna Hurtado, exclusivo para o Quarto Poder

Meu amigo Pedro me pediu que escrevesse algo sobre a situação atual da espanha e não sei por onde começar,então começarei falando o que todos nós espanhóis sabemos com certeza.

Sabemos que nos últimos 2 ou 3 anos nas conversas sempre aparece a palavra crise,que nas últimas semanas falamos sobre comprar francos suiços e levar nossas economias para o estrangeiro,comentamos sobre os salários que aparecem nas ofertas de emprego (em sua maioria para pós-graduados) e falamos do bem que fizeram os amigos que foram viver em outros países.

Sabemos que o país está em ruinas porque foram tomadas más decisões,baseadas no beneficio imediato e interesse de poucos desde muito tempo; na Espanha a corrupção é norma desde Felipe V, pois não existiu nenhum controle,nem consequências para os culpados,pq nós cidadãos não quisemos assumir as responsabilidades e pq o capitalismo gera crises inevitáveis a cada certo tempo.

Também sabemos que a crise atual segue uma BORBUJA* imobiliária que deixou meio país endividado.Situação em que a taxa de desemprego recorde e reformas trabalhistas com perda de direitos,que pioram a cada dia.

Graças a BORBUJA* agora sabemos que a economia do país não pode depender exclusivamente da construção e do turismo (tomem nota amigos brasileiros!),porém o Estado não investiu em "I + D" e agora,mesmo que quisesse não poderia faze-lo.

Todos vemos como a saúde e a educação sofrem cortes que vão para em premiações e indenizações multimilionárias de diretores de bancos resgatados,algo que acabamos de compreender muito bem.

Assistimos perplexos a julgamentos por currupção que não servem para nada,pois os condenados saem livres e seguem ocupando cargos de responsabilidade.

E a sensação que nós cidadãos temos é que as Instituições nos desvalorizam profundamente e só temos certo valor algumas semanas antes das eleições quando nos presenteiam com mentiras em troca de votos.

Eu sempre escutei que existem "duas Espanhas" (referindo-se aos dois lados da Guerra Civil,o dos partidos maioritários: esquerda e direita) mas acredito que eu não havia entendido bem.

Essas "duas espanhas" se referem aos que tem poder e aos que não, aos que decidem e aos que sofrem as consequências dessas decisões,aos que buscam informações para compreender a situação e aos que se deixam enganar pelos meios maioritários (as ferramentas de propaganda partidista),aos que tem dinheiro para enviar a um paraíso fiscal e aos que estão na rua,despejados pelos bancos por não conseguir pagar a hipoteca.

O pior é que sabemos que temos que tocar fundo,que estamos em tempos de crise,que nossos governantes não vão solucionar nada (em parte pq não saberiam como e em parte pq não se preocupam com o que não os afeta) e que as medidas que tem adotado só vão tornar nossa vida mais dificil.

Nós cidadãos também não sabemos o que fazer.Alguns migram para outros países,como fizeram nossos pais e avós nos anos 60.

Outros protestam e organizam manifestações pacificas,algo que não serve absolutamente para nada se os meios de comunicação se empenham em desprestigiá-las e os cidadãos se empenham em votar sempre nas mesmas opções políticas.

E todos,enquanto aprendemos o que significam expressões como "BANCOS RUINS" "PRÊMIOS DE RISCO" E "ACTIVOS TOXICOS" esperamos que algo melhore,que haja uma mudança no mercado ou que digam algo lá na Alemanha que mude nossa (má) sorte.

*Borbuja - Algo relacionado ao Boom imobiliário, especulação imobiliária espanhola

Nenhum comentário:


Contador Grátis