segunda-feira, 30 de julho de 2012

A injustiça já está feita


Com a proximidade do “julgamento do século”, como a grande imprensa gosta de dizer, as matérias dos jornais ficam cada vez mais tendenciosas.

Mesmo sem provas concretas, explícitas, os réus do chamado “mensalão”- que só é atribuído ao PT,porém ninguém cita o do PSDB- já estão condenados.

O alarde que a imprensa faz para demonizar afeta também a opinião pública. E nisso, a injustiça já está feita, independente do resultado e das provas que forem atribuídas ao esquema.  A imprensa já formou a opinião pública e nisso, a injustiça já foi feita.

Em uma Playboy antiga, não me recordo o número agora, tinha uma entrevista com o apresentador Ratinho, na época apenas do SBT. Ele comentou sobre programas policialescos, que apresentava antes de ter o seu programa popular de auditório. Na entrevista, ele se dizia muito arrependido de ter colocado na tela um rapaz acusado por estupro, que depois a própria vítima não o reconheceu como estuprador. Ratinho fez questão de levar o garoto ao programa depois de ele ter sido inocentado.

Será que, caso o STF declare inocência aos réus, isso vai acontecer? Duvido.  Caso a inocência seja comprovada pelas defesas, a imprensa cairá matando para cima do STF, e mais ainda, a opinião pública, já (de)formada com esse tal “escândalo” irá cair matando também.  Terá a falta de respeito e chamará de pizza o que na realidade só irá condizer com provas.

Existe uma ética infinita, que parece que todos esqueceram hoje. Todo mundo é inocente, até que se  prove o contrário. Mas com a imprensa não foi assim. Chamaram Orlando Silva de corrupto, e seu processo não teve nem como ter continuidade por “absoluta falta de provas”. Erenice Guerra também, que foi acusada de tráfico de influência, nada foi provado. Mas a imprensa caiu em cima e, além disso, não citou quando ambos foram inocentados.

A imprensa já tem sua opinião formada. A opinião popular já foi manipulada. Portanto, esse julgamento será não apenas sobre uma suposta corrupção. Esse julgamento será difícil para o Brasil, pois em todos os cantos virão bombas e martelos.

Roberto Jefferson, internado por conta de um câncer e principal denunciante do caso, cada hora diz uma versão. Primeiro ocorreu, depois não houve,e ainda mais depois houve em partes. A  imprensa coloca apenas o que ele diz primeiro, aconteceu e ponto final. Isso é totalmente contra os princípios do jornalismo, onde na primeira lição devemos aprender a ouvir todos os lados, não apenas o que nos interessa.

Particularmente, eu acredito que dois ministros não deveriam participar do julgamento. O primeiro é Gilmar Mendes, por motivos óbvios. Recebeu dinheiro do mensalão tucano em 1998, além de ser um braço direito de José serra. O Segundo é Dias Toffoli, por ter sido filiado ao PT e seu irmão ser prefeito de uma cidade do interior pelo PT.

Mas ambos estarão no julgamento. Gilmar Mendes, que todos sabem não tem um pingo de ética e moral. Toffoli  tenho minhas duvidas de sua imparcialidade para julgar algo onde envolva diretamente seu ex-partido .

Fora isso, os jornais irão cair em desgraça. Quem acompanha a política de uma forma mais ampla, não apenas lendo os principais jornais(que podem acreditar, caminham juntos na linha editorial) sabe das informações do caso. E a mesma Folha, que condena e faz o máximo possível para ludibriar a opinião pública, admitiu em editorial que não existe uma única prova do esquema.

“Evidências colhidas em sete anos de investigações, entretanto, não seriam suficientes, aos olhos de alguns especialistas, para caracterizar a ilicitude em duas questões centrais: a finalidade do esquema e a natureza dos recursos.
Não há nos autos elementos que sustentem de forma inequívoca a noção de que o objetivo do mensalão era comprar respaldo no Congresso. Sem a demonstração de que os pagamentos foram oferecidos em troca de apoio parlamentar, perdem alguma força as acusações de corrupção.
Quanto ao dinheiro, o STF precisará se pronunciar sobre sua origem, se pública ou privada. Comprovar o desvio de recursos públicos é pré-requisito para algumas acusações de lavagem de dinheiro, por exemplo”

Portanto, a imprensa já está jogando a toalha. Está vendo que o golpe não vai dar certo, mas deu, até certo ponto. Deu certo em manipular a opinião pública. Lembro-me quando eu era roadie de uma banda, quando eles tocavam “Que país é esse”, da (ainda bem) finada banda Legião Urbana, ele trocava a letra e cantava “...mas todos acreditam no país do mensalão”.  E todos aplaudiam.

A opinião já está formada. E o julgamento terá proporções e reflexos ainda gigantescos.  


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