segunda-feira, 23 de junho de 2014

A moda do trabalho escravo

O assunto veio a tona faz umas semanas e com o início da Copa do Mundo, parece que foi bem esquecido pelas pessoas.

O uso do trabalho escravo é mais comum do que imaginamos. No mundo temos aproximadamente 30 milhões de trabalhadores em situação de escravidão. Diversos produtos que utilizamos em nosso dia a dia tem manchas de sangue de trabalhadores sem o mínimo de dignidade.

No Brasil, tivemos casos da  grife Ellus onde uma camiseta custa em torno de R$80,00 e utiliza trabalho escravo para sua montagem e costura. Qual apena que a empresa levou? Uma singela multa de R$200 mil – ante os US$5 milhões de lucro em  2012 um valor irrisório.

Mas enganam-se quem acha que apenas a empresa Ellus utiliza este artifício. A rede Lojas Americanas,  com um lucro de US$7 milhões também levou uma multa de R$250 mil por trabalho escravo. C&A também entrou na lista, por manter funcionários em uma loja em Goiás em nível de escravidão, mas a multa para a empresa foi bem mais branda, R$100 mil.

Deputados não ficam de fora dessa. O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP), que vem de uma dinastia de família rica de SP, foi condenado por trabalho escravo em R$200 mil. João Lyra (PSD-AL) e Urzeni Rocha(PSDB-RR) também foram flagrados utilizando mão de obra escrava em suas propriedades.

Não preciso mais dar exemplos. O trabalho escravo é real e muitas vezes está onde não conseguimos ver. Em diamantes de celulares, trabalho escravo infantil. Computadores como iMac  da Apple também utiliza e, declaradamente, a empresa afirma que não abre mão deste tipo de “serviço”.

Mas qual o motivo de ainda existir tantos casos de trabalho escravo?

Primeiro a legislação. Como podemos ver, a lei é extremamente branda para estes casos. Com lucros que ultrapassam a cifra de milhões de dólares, uma multa de R$200 mil é mínima perto do estrago que as empresas fazem. No mínimo o fechamento da empresa no Brasil, expulsão de seus donos e sócios seria um pouco mais digno.

Quando vemos deputados envolvidos com trabalho escravo, podemos perceber que a lei é branda pois os mesmos que a fazem utilizam-se de suas brechas. Poderosos no Brasil não são presos. Raras exceções, não vemos deputados presos por crimes. Inclusive de trabalho escravo.  

Segundo, em meu ponto de vista, é o avanço do neo liberalismo. Como o lucro é mais importante que qualquer outra coisa, o gasto com o funcionário e o bem estar do trabalhador inexiste se isso for abaixar um pouco o lucro das empresas. O capitalismo proporciona o trabalho escravo para que não atrapalhe o lucro, a força da empresa e, porque não, o Deus mercado.


 Enquanto a legislação for frouxa com os que utilizam este meio para obter seus lucros, certamente o trabalho escravo vai continuar. E o governo brasileiro tem grande responsabilidade nisso. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Vai ter Copa sim

Pois é, dois dias para o início da Copa. Estranhamente a cidade de Belo Horizonte parece estar com medo de se envolver com o evento. Não vejo ruas pintadas, bandeiras pelas ruas. Quando tem, é algo muito tímido. Parece que as manifestações durante a Copa das Confederações espantou e amedrontou as pessoas.

Mas vai ter Copa. Manaus, Rio, Fortaleza... Diversas capitais estão muito enfeitadas para receber as seleções que virão ao Brasil disputar a taça de campeão do mundo (e claro, uma boa bolada de dinheiro).

Aqui em casa, vou receber confirmados, dois argentinos que estão viajando pelo Brasil. Muito interessante essa troca de cultura, hospitalidade e claro, a oportunidade de conviver ao menos uns dias assim.
O pagamento deles? Dar-me um espaço quando for dar um role pela Argentina.
Uma mão lavando a outra.

Conheço gente que vai receber turista que vão pagar $800 Euros pela Hospedagem. Isso sim que é negócio bão demais.


Aproveite. Pode não gostar do governo, pode não gostar da maneira que a Copa foi feita(como eu acho que MUITA coisa poderia ter sido diferente) mas a oportunidade de ganhar muito, seja no lado financeiro ou no lado de enriquecimento cultural está ai, quem perder é mulher do padre.


sábado, 31 de maio de 2014

O Estadão contra a participação

O veículo que tem uma longa folha de serviços prestados ao País está pronto para defender a democracia de seu principal algoz: o povo.

Perigo vermelho

A turma do editorial do Estadão está em pânico. Apelou e perdeu a razão. Também, não era para menos. O jornal que ajudou a derrubar os governos Vargas, em 1954, e João Goulart, em 1964, não dorme em serviço.  Dilma que se cuide, pois estamos, de novo, em um ano de quatro.

Mais uma vez, e antes que seja tarde, o veículo que tem uma longa folha de serviços prestados ao País está pronto para defender a democracia de seu principal algoz: o povo.

O jornal descobriu e denunciou, em um editorial ('Mudança de regime por decreto', de 29/5), que o governo da presidenta Dilma Rousseff está cometendo um crime de lesa pátria.

Os ideólogos das furiosas linhas chamam Dilma de 'companheira'. Calma, os 'companheiros' editorialistas continuam os mesmos. Apenas estão usando o pronome de tratamento de forma irônica.

Alertam para o grave risco que temos pela frente: ‘a presidente Dilma Rousseff quer modificar o sistema brasileiro de governo’ por decreto, brada o jornal que sabe defender um regime como ninguém.

Abram alas para os companheiros vetustos que falam de democracia com autoridade:

‘O Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), é um conjunto de barbaridades jurídicas, ainda que possa soar, numa leitura desatenta, como uma resposta aos difusos anseios das ruas. Na realidade é o mais puro oportunismo, aproveitando os ventos do momento para impor velhas pretensões do PT, sempre rejeitadas pela Nação, a respeito do que membros desse partido entendem que deva ser uma democracia.’

E nós, incautos, dormindo, trabalhando e nos preparando para a Copa do Mundo de Futebol - quanta alienação! O gigante dormiu de novo. A coisa da ‘leitura desatenta’ é feita para gente como nós, míopes nas entrelinhas.

Por sorte, nada escapa à eterna vigilância dos companheiros que cavalgam de trombeta.

Cuidado com essa coisa de ‘sociedade civil’, pede o Estadão. Isso é um perigo.

Estejam todos atentos, pois querem destruir a democracia. Como pretendem fazê-lo? Trazendo a sociedade civil para dentro do governo.

Os funéreos redatores jogaram a pá de cal até em liberais moderninhos como Alexis de Tocqueville e John Stuart Mill, que defendiam a participação como base da boa representação, no século XIX.

A Constituição reescrita por um editorial

Em um de seus parágrafos mais histéricos, o editorial que baba afirma que ‘a companheira Dilma não concorda com o sistema representativo brasileiro, definido pela Assembleia Constituinte de 1988, e quer, por decreto, instituir outra fonte de poder: a 'participação direta'.’

Alguém poderia enviar de presente ao Estadão, pelos Correios, um exemplar da Constituição, pois o deles deve ter sumido faz tempo.

Já se esqueceram do parágrafo único do artigo 1o de nossa Carta Magna  , que diz:

‘Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição’.

Provavelmente não chegaram sequer ao artigo 84, que dá ao Presidente da República o poder de expedir decretos sobre a organização e funcionamento da administração federal, que é exatamente o objeto do abominado ato oficial.

Não bastassem alguns ministros do Supremo, também o Estadão agora quer reescrever a Constituição, a começar por editoriais - quem sabe, um dia, via classificados.

Ficaria assim o primeiro artigo da Constituição, pelas mãos dos companheiros trombeteiros:

‘Ora, a participação social numa democracia representativa se dá através dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos.’

O Estadão acaba de proclamar o parlamentarismo, pois esqueceu-se até de incluir a Presidência da República como uma das instâncias de representação. Ou seja, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, tudo bem; mas Dilma Rousseff, nem pensar.

Os tocadores de berrante pedem àqueles que consideram suas vaquinhas de presépio (‘Que o Congresso esteja atento’ e que venha ‘o STF, para declarar a inconstitucionalidade do decreto’) para derrubarem a norma do Executivo.

O argumento pífio é o de que ela ‘fere o princípio básico da igualdade democrática (‘uma pessoa, um voto’)’.

Hora de mandar mais um exemplar da Constituição para o Estadão. Nem o Brasil, nem qualquer país federalista do mundo segue o sistema de ‘uma pessoa, um voto’ na representação parlamentar.

Os caríssimos companheiros editorializantes até hoje não descobriram que nem a Câmara dos Deputados, nem o Senado Federal são constituídos pelo tal sistema de ‘uma pessoa, um voto’. Erraram de país.

A única instância de representação em que essa regra é aplicada, para o azar do Estadão, é justamente a Presidência da República.

Argumentos similares aos desse editorial já foram e continuam sendo usados contra invenções diabólicas como, por exemplo, o orçamento participativo - coisa perigosíssima, nascida da invencionisse petista, dilmista, mensaleira e autoritária dos comissários.

O Estadão chamou para a briga. E pede ajuda a quem quer que seja para salvar nosso sistema representativo.

Sim, esse mesmo sistema representativo que todos os dias os editoriais do Estadão e de muitos outros jornais ajudam a desmoralizar, a esculhambar, a retratar como um ninho de bandidos, é esse sistema que eles conclamam que seja salvo. Avante, ‘companheiros’!

Dilma é acusada de ‘descaramento’ por conta do tal decreto. Aí descobrimos para que serve o cavalo do Estadão: para ajudar a escrever editoriais com coices.

Exorcistas de papel

Em momento algum o Editorialíssimo Jornal, do alto de sua cavalgadura, abandona a postura autoritária e de tutela da opinião pública. Jamais passou, por baixo das patas de suas ferraduras, a ideia de recomendar ao leitor um cuidado básico: o de ler o decreto.

O jornal, como sempre, confia no poder de seu berrante de produzir o efeito manada nos que compram suas páginas. Espera que simplesmente ruminem sobre o decreto: ‘não li e não gostei’.

Quem puder ler a norma verá que a mesma restringe-se a dar recomendações à administração pública federal. Nem Estados, nem Municípios, nem o DF estão obrigados a segui-la.

A Câmara, o Senado e o STF, invocados pelos exorcistas de papel, não têm nada a ver com a coisa e podem permanecer sem sociedade civil, se assim preferirem, no intuito de agradar o jornal.

Sabem qual o grande perigo do decreto? O grande perigo é o de serem criados conselhos e comissões de políticas públicas; conferências nacionais; ouvidorias; mesas de diálogo; fóruns interconselhos; audiências públicas; consultas públicas; e ambientes virtuais de participação social.

Se é disso que o Estadão tem medo, é bom esconder-se debaixo da cama imediatamente, pois, com esse decreto, o bicho vai pegar.



Antonio Lassance

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O preconceito cultural

Nos últimos dias, por conta da virada cultural, vi diversos perfis no Facebook falando sobre o tema. Em especial, a contratação de artistas populares, como Valesca Poposuda e o Rapper Xis.

As maiores ofensas foram em relação a representante do funk estar em um evento que tenha cultura no nome. Para muitos, o funk não é cultura. São os mesmos que, quando pisam em periferias, vão apenas apra comprar drogas.

Dentre as ofensas, percebi que as pessoas resumem a virada cultural apenas em shows musicais. E só valem músicas que é de gosto do reclamante, não existem outras vertentes que possam agradar o grande público.
Percebi que o preconceito vem justamente do público mais voltado ao rock - estilo que nasceu de rebeldia e revolta e que hoje mostra-se com os fãs mais conservadores-. As pessoas acham que apenas o rock é bom, que apenas o que vem do rock pode ser considerado cultura.

Na virada cultural, tivemos diversos artistas. Uriah Heep e  Mark Farner se destacaram no palco rock. No palco vinil, vários artistas tocando discos completos. Otto com o "Canta Canta Minha Gente" de Martinho da Vila fez todos dançar. O disco "Dark Side of The Moon" do Pink Floyd foi apresentado com o palco lotado. Mas a virada é só música?

Não, a virada teve dança, teve teatro ( como a peça "Os Gigantes da Montanha, do grupo mineiro Galpão), teve mágica, teve gastronomia, cervejas artesanais, pintura, balada elotrônica, marionetes, oficinas infantis, literatura, artes plásticas... Resumir a virada cultural apenas nos shows é limitar o conhecimento cultural. Se bem que o pessoal de hoje é bem limitado em questão de informação, então apenas refletem isso no lado cultural.

Ps- Querem saber mais sobre o funk? Frequente a realidade da periferia que pode ajudar.

Ps 2- Sempre falei que o rock era rebeldia e hoje o público está mais pra mimado.

Ps 3- Saibam separar entretenimento de cultura. Shows são entretenimento.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A revolta seletiva do jornalismo brasileiro

Eu havia abandonado esse blog. Talvez por falta de tempo, mas o mais certo é a falta de vontade de escrever. Sei lá, desânimo, falta de esperança na sociedade. São diversos fatores, mas meus dedos sempre coçaram para retomar isso. E o cinegrafista da Band, Santiago, morto esses dias, me fez voltar.

O assunto não é novo, e a mídia (isso incluí rede social também) está sugando ao máximo este assunto, principalmente para tentar jogar a culpa em algum lado. Esquerdistas tentam jogar pra direita, direitosos tentam jogar pra esquerda. Governistas tentam jogar pra oposição e oposição tenta jogar para o PT. No final, todos estão usando o assunto de maneira política.

O que me incomoda é a revolta seletiva dentro do jornalismo brasileiro. Vi inúmeros perfis falando do caso com revolta, com amargura. Claro, uma situação como essa é complicada e incomum. Poucos os casos de jornalistas mortos por conta de manifestação de rua.  Teve gente querendo que um dos estádios da Copa do Mundo fosse batizado com o nome do jornalista. Não sei ao certo até que ponto isso seria homenagem ou oportunismo barato.

Mas e o Mosquito? Ninguém vai falar do Mosquito?
Sabe quem é Mosquito?

Amilton Alexandre foi um jornalista de Santa Catarina que morreu ano passado. O que provocou a morte, segundo a polícia? Suicídio. Quem conhecia seu trabalho sabe que isso seria quase impossível. O problema foi outro.

Mosquito, como era conhecido, divulgou sobre o caso do filho de Sérgio Sirotsky, diretor da rede RSB, retransmissora da rede Globo no RS, que estuprou uma menina de 13 anos em sua própria casa. O garoto não foi preso e o assunto foi fortemente abafado. Dias depois da divulgação do caso, Mosquito foi encontrado morto e dado como suicídio.

Nesse meio tempo, não vi indignados da imprensa brasileira. Não vi os jornalistas querendo homenagens ou ainda, não vi divulgação massante do caso. Ora, se as pessoas estão querendo colocar em pauta a redução da maioridade penal, nada melhor que usar exemplo como um garoto que estupra e não vai preso. Mas a influência é o problema.

O garoto é filho de diretor da Globo. Nem a ANJ teve caráter para divulgar uma linha sequer sobre o caso, abraçou o que a polícia falou do caso (suicídio) e deixou por isso mesmo.

Essa indignação seletiva me incomoda muito. Incomoda pois sabemos que não teria como usar politicamente Mosquito para abocanhar votos(ou tirar), então o assunto é deixado para trás.  Sinceramente, a vida de Mosquito valeu menos do que a de Santigado. Santiago vai virar uma lenda por ter sido em protesto de rua depois das explosões de manifestações do meio do ano passado. Mosquito foi só mais um jornalista que morreu para proteger nome de influentes.

Santiago, presente.


Mosquito, presente

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