quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A revolta seletiva do jornalismo brasileiro

Eu havia abandonado esse blog. Talvez por falta de tempo, mas o mais certo é a falta de vontade de escrever. Sei lá, desânimo, falta de esperança na sociedade. São diversos fatores, mas meus dedos sempre coçaram para retomar isso. E o cinegrafista da Band, Santiago, morto esses dias, me fez voltar.

O assunto não é novo, e a mídia (isso incluí rede social também) está sugando ao máximo este assunto, principalmente para tentar jogar a culpa em algum lado. Esquerdistas tentam jogar pra direita, direitosos tentam jogar pra esquerda. Governistas tentam jogar pra oposição e oposição tenta jogar para o PT. No final, todos estão usando o assunto de maneira política.

O que me incomoda é a revolta seletiva dentro do jornalismo brasileiro. Vi inúmeros perfis falando do caso com revolta, com amargura. Claro, uma situação como essa é complicada e incomum. Poucos os casos de jornalistas mortos por conta de manifestação de rua.  Teve gente querendo que um dos estádios da Copa do Mundo fosse batizado com o nome do jornalista. Não sei ao certo até que ponto isso seria homenagem ou oportunismo barato.

Mas e o Mosquito? Ninguém vai falar do Mosquito?
Sabe quem é Mosquito?

Amilton Alexandre foi um jornalista de Santa Catarina que morreu ano passado. O que provocou a morte, segundo a polícia? Suicídio. Quem conhecia seu trabalho sabe que isso seria quase impossível. O problema foi outro.

Mosquito, como era conhecido, divulgou sobre o caso do filho de Sérgio Sirotsky, diretor da rede RSB, retransmissora da rede Globo no RS, que estuprou uma menina de 13 anos em sua própria casa. O garoto não foi preso e o assunto foi fortemente abafado. Dias depois da divulgação do caso, Mosquito foi encontrado morto e dado como suicídio.

Nesse meio tempo, não vi indignados da imprensa brasileira. Não vi os jornalistas querendo homenagens ou ainda, não vi divulgação massante do caso. Ora, se as pessoas estão querendo colocar em pauta a redução da maioridade penal, nada melhor que usar exemplo como um garoto que estupra e não vai preso. Mas a influência é o problema.

O garoto é filho de diretor da Globo. Nem a ANJ teve caráter para divulgar uma linha sequer sobre o caso, abraçou o que a polícia falou do caso (suicídio) e deixou por isso mesmo.

Essa indignação seletiva me incomoda muito. Incomoda pois sabemos que não teria como usar politicamente Mosquito para abocanhar votos(ou tirar), então o assunto é deixado para trás.  Sinceramente, a vida de Mosquito valeu menos do que a de Santigado. Santiago vai virar uma lenda por ter sido em protesto de rua depois das explosões de manifestações do meio do ano passado. Mosquito foi só mais um jornalista que morreu para proteger nome de influentes.

Santiago, presente.


Mosquito, presente

Contador Grátis